Quem está nas (nem sempre) confortáveis poltronas dos teatros, muitas vezes não imagina a parafernália necessária para que o espetáculo aconteça. Luz, som, cenário e, só então, espetáculo. As coisas acontecem mais ou menos nessa ordem, mas o Festival de Teatro de Curitiba teve que percorrer um árduo caminho para encontrar pessoas que pudessem realizar toda essa mise-en-scSne.
No início do festival, lembra o iluminador Beto Bruel, era preciso uma parceria com técnicos de São Paulo, já que Curitiba não oferecia mão-de-obra para montagem de luz. ‘‘Os técnicos foram se formando com o passar dos anos. Hoje, 100% da mão-de-obra é de Curitiba e Região Metropolitana’’, conta. Bruel, que assina a maior parte das produções curitibanas e desde 96 assumiu a prestação de serviços de iluminação das peças do FTC, diz que a formação de profissionais é um ponto positivo no festival. Mas deixa claro que interessados só têm uma escola para aprender: a prática.
O que significa que quem não está por perto da classe teatral, tem poucas chances de aprender o ofício. ‘‘O próprio festival deveria oferecer mais cursos profissionalizantes nessa área, pois faltam técnicos para montar a luz dos espetáculos’’, opina.
Este ano, 32 técnicos de luz vão atender as 130 peças do festival. Serão usados mais de dois mil refletores nos espetáculos. Em um só dia, 1,5 mil refletores estarão acesos ao mesmo tempo. Até bem pouco tempo, o ex-proprietário de um lava-car Rogério Couto, 28, nem poderia imaginar que estaria coordenando toda essa parafernália. ‘‘Comecei no festival segurando escada, não sabia nem o que era uma extensão’’, brinca o agora técnico de luz. Hoje ele coordena a divisão de todo o equipamento e é categórico ao afirmar que ‘‘trabalho no festival não falta’’. Depois é outra história.
Essa trajetória é a mesma para as outras funções que envolvem o árduo caminho de uma montagem teatral. ‘‘A área está carente. O festival cresce e a mão-de-obra não acompanha’’, opina o responsável pela montagem cenográfica do evento Sérgio Richter. Ele assegura que o festival é extremamente dinâmico e que os grupos que vêm de fora não querem saber se Curitiba tem ou não profissionais capacitados. ‘‘Eles querem ser atendidos’’, revela.
A dificuldade maior, conforme acredita o responsável pelo fornecimento dos equipamentos de som, João Cassemiro Correa, da empresa Dó Ré Mix, é formar equipes. ‘‘A profissão já é complicada, relacionada ao teatro é ainda pior’’. Ele explica que para atender todos os grupos e acompanhar as mudanças tecnológicas e tendências dos espetáculos é preciso criatividade e investimento. Este ano, serão usadas quase 400 caixas de som, cerca de 350 microfones e 50 aparelhos de CD. ‘‘Depois do festival, esse equipamento é guardado. Não existe demanda o resto do ano para utilizá-lo’’.

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