São Paulo, 31 (AE) - Artistas internacionais de grande vendagem e público internacionalizado avançam sem preconceitos em direção ao MP3, o que era até há pouco tempo prerrogativa de rappers como Chuck D e outros visionários.
Há duas semanas, as cantoras americanas Alanis Morissette e Tori Amos anunciaram uma turnê de caráter beneficente que será aberta por artistas exclusivos do cenário MP3. A turnê 5 1/2 Weeks tem ingressos sendo vendidos, claro, via Internet, pelo site www.alanisandtori.com.mp3.
Um maravilhoso artigo do escritor Julian Dibbell, autor de "My Tiny Life: Crime and Passion in a Virtual World", discute na rede o que os "apocalípticos da indústria" e os "evangelistas do MP3" consideram o embate do futuro.
"Ambos vêem um desastre cultural em massa, com um mercado arruinado, nenhuma maneira de ganhar dinheiro honesto vendendo música e, finalmente, o fim da música pop como nós a conhecemos", assinala Dibbell. Embora reconheça que o velho sistema de venda de música, como nós nos acostumamos a conhecer, está com seus dias contados, Dibbell diz que jamais a música pop esteve ameaçada em toda sua história. E que é necessário, apenas
o mercado arrumar uma nova forma de fazer dinheiro.
Obviamente, o mercado já arrumou suas novas normas. "A informação não quer ser livre; ela quer apenas sentir o que é ser livre", diz Jim Griffin, executivo da Geffen Records. Griffin propõe que as pessoas simplesmente paguem uma taxa de assinatura do mesmo jeito que pagam pela assinatura de canais na televisão. Para Griffin, a música em formato condensado, mais do que entretenimento ou informação, é uma questão de software.
Griffin está certo. MP3 é simplesmente um formato de arquivo de computador. Seu uso é que pode ser legal ou ilegal. O MP3 é legal se o dono do copyright da canção permite o download e a execução de sua música. Também será legal, nesse caso, para fazer cópias em CD para uso pessoal - se for para comercializar, será ilegal.
A esperteza dos executivos da indústria fonográfica põe em xeque pelo menos um dos grandes sonhos da chamada "revolução do MP3": a de que o controle da indústria sobre o trabalho do artista seria menor em um futuro próximo. E a questão da propriedade intelectual vai continuar sendo um problema a ser resolvido.
A indústria, já preparada para a nova situação, dá suas cartas no mercado. "Esse é o mais importante movimento na música desde a chegada das rádios FM", diz Steve Devick, executivo da Platinum Entertainment, a maior vendedora de discos independentes dos Estados Unidos. Desde 1º de abril, após licenciar mais de 13 mil canções por meio do site Musicmaker.com
a empresa anunciou que estaria comercializando brevemente singles MP3 por US$ 1 cada um.
Com a medida, Devick pensou grande - e essa é a estratégia do contra-ataque. "Isso não vai prevenir o roubo da música via Internet, mas certamente vai fazer com que parem de roubá-la", pondera o executivo.

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