Havana - Cinco grupos cubanos e o pianista Chucho Valdés fizeram um concerto de protesto anteontem à noite em Havana, capital de Cuba. Eles criticaram a decisão do governo dos EUA de não conceder vistos para que pudessem viajar a Los Angeles para a entrega do Grammy Latino, ao qual foram indicados. Chucho ganhou o prêmio na categoria melhor disco pop instrumental.
O Grammy Latino é um dos principais prêmios de música do mundo e aconteceu na quarta-feira da semana passada.
No total, 22 músicos cubanos foram proibidos de ir à cerimônia de premiação. A Embaixada dos EUA em Cuba não explicou os motivos dessa proibição.
O show aconteceu no Teatro Amadeo Roldán, com os artistas tocando suas músicas de maior sucesso. Logo no início da apresentação, um representante da Associação de Músicos Cubanos, René BaÀos, leu um manifesto contra a decisão norte-americana.
Os músicos se mostraram indignados alegando que os EUA os impediram de oferecer sua cultura ao mundo. ''Somos homens e mulheres de paz, que respeitam, conhecem e sentem as causas mais nobres dos EUA'', disse BaÀos.
Ele também citou a ajuda de Cuba, com doações, às vítimas dos ataques terroristas de 11 de setembro.
Participaram do concerto Rey Guerra (instrumental), Lazaro Rós (afro-cubano), Vocal Sampling (vocal), X Alfonso (rap), Syntesis e Chucho Valdés, o único ganhador entre os indicados.
Estavam na platéia personalidades importantes da música cubana, como Ibrahim Ferrer e Omara Portuondo, que excursionaram com o Buena Vista Social Club, ministros de Estado e autoridades locais. Para o maior homenageado da noite, Chucho Valdés, a proibição foi uma injustiça. ''Música é música; política é política'', afirmou logo depois do show.

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