São Paulo, 26 (AE) - Os artistas da zona norte de São Paulo reclamam de que não há vida cultural "para lá do Rio Tietê", uma região com cerca de 2 milhões de habitantes e poucos espaços voltados para as artes. Por isso, resolveram reunir-se e tentar uma nova abordagem para atrair possíveis patrocinadores. Mais de 400 artistas que vivem na região, entre eles alguns conhecidos nacionalmente, como Almir Sater e Pena Branco e Xavantinho, podem agora informar-se e trocar idéias sobre as leis de incentivo fiscal nas comissões de área (dança, teatro, artes plásticas, música, literatura, entre outras) do Pólo Cultural da Zona Norte.
A instituição, sem fins lucrativos, foi criada em setembro, com o objetivo de mapear quantos artistas existem nos bairros "além Tietê" e que espaços podem ser utilizados para a produção artística e cultural da região. De lá para cá, vários projetos já foram desenvolvidos com o apoio de empresários locais. A TV Pólo, que vai ao ar todos os sábados às 12h30, foi aprovada pela Lei Rouanet para uma programação de um ano. Já tem apoio das Faculdades Integradas Cantareira, mas ainda precisa de patrocínio, num projeto que totaliza R$ 136 mil.
Em junho, 150 artistas plásticos, entre pintores, gravuristas e ceramistas, realizaram uma grande exposição com apoio da Champanhe Salton. Sábado, o Núcleo de àpera das Faculdades Santa Marcelina apresenta La Serva Padrona, de Pergolesi, na Unidade Cantareira do Colégio Jardim São Paulo (Av. Nova Cantareira, 3734), também com o patrocínio das Faculdades Integradas Cantareira. "O Pólo tem sobrevivido, além da ajuda de empresários locais, daquilo que eu chamo de fôlego dos artistas que o integram", afirma Eneida Soller, coordenadora da associação.
Vários outros projetos do pólo estão em vias de se realizar, à espera apenas de patrocínio. Um deles, já aprovado pela Lei Rouanet, pretende levar à zona norte companhias de expressão nacional para divulgar a dança clássica e contemporânea para o público da região. Três circuitos, de Marilena Ansaldi, Gil Saboya e Ruth Rachou, totalizarão 12 espetáculos. Cada circuito deverá custar R$ 25 mil.
O Instrumetrô, projeto organizado por donos de escolas de música da região, pretende realizar 24 apresentações de música clássica e popular nas estações de metrô da zona norte. Está aprovado pela Lei Rouanet e precisa de R$ 48 mil para ser colocado em prática. A revista "Norte Cultural", que também já tem o certificado da Lei Rouanet, espera por um patrocínio de R$ 271 mil, valor suficiente para a realização de 12 edições com circulação gratuita de 20 mil exemplares. O patrimônio histórico local será catalogado e divulgado no Guia do Patrimônio Histórico Cultural da Zona Norte, cuja realização depende de um patrocínio de R$ 36 mil.
Outros projetos em andamento são o Museu de Santana - Exposição Permantente no Arquivo do Estado, em tramitação na Secretaria do Estado da Cultura; o Salão Aberto de Dança de Salão; e o Palavra Puxa Palavra, que tem o objetivo de apoiar a edição de livros de escritores da zona norte após um concurso de seleção das melhores obras.
Apoio de ministro - Para a coordenadora do pólo, um grande impulso para a agitação cultural que tomou conta da região foi o encontro ocorrido em novembro entre os artistas e o ministro da Cultura, Francisco Weffort. "Além de ter manifestado apoio irrestrito às atividades do pólo, estavam presentes na ocasião personalidades representativas da região, como o presidente do Clube Espéria e a proprietária do Shopping Norte, que também expressaram seu apoio", relata Eneida.
Na ocasião, Weffort fez um discurso descontraído, com direito a lembranças da adolescência na região, quando morava na Rua Alfredo Pujol e, à noite, depois das aulas, "pegava um ônibus na Praça do Correio, dormia durante todo o percurso e sempre ia parar no Tremembé".
Os artistas da zona norte estão empenhados em criar centros culturais em alguns espaços da região. Além de já terem a permissão de teatros e clubes locais para apresentações, pretendem utilizar uma construção abandonada pela Prefeitura próximo ao Terminal Rodoviário da Vila Nova Cachoeirinha. "Um abaixo-assinado de 10 mil pessoas foi levado ao prefeito Celso Pitta e esperamos por uma posição da Prefeitura; pretendemos fazer lá o Centro Cultural Nova Cachoeirinha", explica Eneida
Os interessados em patrocinar projetos do Pólo Cultural da Zona Norte devem procurar Eneida Soller pelos telefones (011) 6959-0405 e (011) 9262-5664 ou informar-se pela Internet no endereço [email protected]. Os mesmos telefones valem para os interessados em assistir a La Serva Padrona no sábado.

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