Rio, 02 (AE) - Chico Buarque: vá ao show, ouça o disco, leia o livro e veja o quadro. Os fãs do compositor vão se esbaldar neste fim de ano, pois ele estará disponível em vários formatos. Ou suportes, para usar um termo mais atual. Quem gostou do disco e do show "As Cidades, leu o livro "Paratodos", da coleção Perfis do Rio, escrito pela jornalista Regina Zappa, pode completar sua coleção do compositor com as obras que estão na exposição "A Imagem do Som", a ser inaugurada hoje.
A mostra é a segunda da série concebida pelo artista gráfico Felipe Taborda, que pretende, até 2005, criar uma coleção de obras de arte inspirada nas músicas de nossos maiores compositores. No ano passado, ele convidou 80 artistas plásticos e sorteou entre eles músicas de Caetano Veloso. Cada um criou uma obra sobre a canção escolhida. Todas foram expostas no Paço da Cidade e fizeram parte de um livro com o mesmo nome da mostra.
"Em 2000 será a vez de Roberto e Erasmo Carlos e Gilberto Gil será o compositor do ano seguinte", informa Taborda, que tem patrocínio da Petrobrás. "No ano passado, os 80 artistas votaram para escolher os 40 que repetiriam a dose este ano e foram chamados 40 que ainda não haviam participado."
Como no livro "Paratodos", Chico Buarque deu autorização e pediu apenas que a música "Essa Moça Tá Diferente fosse substituída por Choro Bandido", parceria dele com Edu Lobo, da peça "O Corsário do Rei. Os suportes foram variados. A diretora Daniela Thomas criou uma luneta para a música "O Que Será", do filme "Dona Flor". Barrão fez uma escultura abstrata a partir da música "Maninha", enquanto Gringo Cardia (sorteado com a música "De Todas as Maneiras"), o publicitário Jair de Souza ("Morro Dois Irmãos") e o diretor de comerciais João Daniel ("Meu Caro Amigo") usaram vídeo para expressar suas músicas. O diretor de teatro Gabriel Vilella foi original. Encomendou de doceiras mineiras um tacho de cobre e, com os quitutes delas, escreveu a letra de "Com Açúcar, com Afeto".
A exposição fica no Paço da Cidade até março. Apesar de ser artista gráfico, Taborda não pretende expor nenhum trabalho sobre a obra de Chico Buarque. "Seria anti-ético", justifica-se. "Além disso, considero a exposição uma obra minha e também criei o livro com as reproduções dos trabalhos." O livro a que ele se refere é o catálogo da mostra, vendido apenas no local. Para os muitos fãs de Chico Buarque, o ano 2000 não poderia começar com fartura maior.

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