Artistas curitibanos organizaram a ‘‘Noite de Sons e Imagens’’, na semana passada, que comemorou a Lei Municipal de Incentivo à Cultura. Desde 1991, a lei já beneficiou diversas empresas e artistas locais, que tiveram seus trabalhos financiados através dela.
O evento, organizado pela produtora executiva de vários projetos culturais, Cléo Bolach, contou com a presença do presidente do Projeto da Lei de Incentivo à Cultura, Antônio Romildo Mileck. Representantes de empresas como a Siemens, a Olsen e a Paraná Equipamentos, que costumam investir em marketing cultural também participaram.
O ponto alto da noite foi a presença de dezenas de artistas que já foram beneficiados pela lei, como Paulo Munhoz (cinema), Regina Vogue (teatro), Marieta Lopes (artes plásticas), Etel Frota (literatura), Bossa Nossa Trio (música) e vários outros, que fizeram pequenas demonstrações de seus projetos aprovados.
Segundo a produtora Cléo, o principal objetivo da festa foi o de mostrar aos outros empresários curitibanos que investir nos projetos aprovados pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura é um bom negócio.
Na sua opinião, está aumentando a conscientização dos empresários. ‘‘O problema é que há muitos projetos’’, diz. A crise econômica também complicou a situação, em sua opinião. ‘‘As empresas faturam menos, portanto a porcentagem retirada do ISS (Imposto Sobre Serviço) se torna menor’’, diz.
A coordenadora do Projeto da Lei de Incentivo à Cultura, Christine Vianna Batista, explica que a lei se baseia na renúncia fiscal do orçamento de IPTU e ISS. A porcentagem destinada aos projetos é de 1,5%.
O interesse dos artistas e produtores na aprovação de seus projetos pela Lei Municipal pode ser medida pelos números. Em 1993, 40 projetos foram inscritos e 25 foram aprovados. No ano passado, 546 projetos se inscreveram, sendo que 141 foram aprovados pela comissão julgadora.
Após aprovados, eles partem para a captação de recursos junto às empresas. ‘‘Cada projeto tem dois anos para ser realizado, podendo recorrer a prorrogação do prazo’’, explica Christine.
Ela acha que ainda existe um pouco de falta de conscientização dos empresários. ‘‘Alguns projetos aprovados chegam a se perder por falta de uma empresa que patrocine’’, afirma. Mesmo assim, desde que a lei foi criada, ela calcula que cerca de 50 CDs e 100 peças teatrais já tenham sido viabilizados graças ao incentivo.
Uma das beneficiadas é a produtora teatral Regina Vogue. ‘‘Já montei sete peças utilizando a verba captada graças a lei’’, explica. Entre elas estão ‘‘Aladim’’, ‘‘Os Três Mosqueteiros’’, ‘‘A Fada Que Tinha Idéias’’ e ‘‘Uma Professora Muito Maluquinha’’, que está atualmente em cartaz, no Teatro Fernanda Montenegro.
‘‘A lei é muito boa, é a nossa salvação’’, diz Regina. Para cada espetáculo, ela consegue captar em média R$ 65 mil. ‘‘Minhas produções são caras, chegando a custar R$ 100 mil’’, explica. Ela diz que ultimamente está tendo dificuldades para encontrar empresas que patrocinem, pois ‘‘há muita gente no mercado’’.
O escritor e compositor Hardy Guedes, também elogia os benefícios da lei. ‘‘Em menos de cinco anos, já publiquei 13 livros e dois CDs graças a ela’’. Atualmente, mais dois projetos seus estão inscritos para serem avaliados pela comissão julgadora. Suas obras são todas voltadas à educação, explorando didaticamente as lendas e folclores.
O engenheiro de planejamentos da Siemens, Sérgio Gielow, explica que a empresa investe cerca de R$ 60 mil mensais em marketing cultural. ‘‘Desde 1995, já patrocinamos mais de 50 projetos através da Lei de Incentivo Municipal’’.
Apesar dos grandes investimentos, ele comenta que a crise econômica foi sentida. ‘‘Houve retroação no mercado, que recolhe menos impostos e gera menos dinheiro para a cultura’’, comenta.
Ele explica que não há preocupação em medir retorno de mídia, mas sim em apoiar espetáculos de qualidade, que possam atender à comunidade. Entre as produções beneficiadas pela Siemens estão o projeto ‘‘Probus’’, que leva música erudita às escolas públicas; o auto-natalino ‘‘Noite Feliz’’ e dezenas de peças teatrais. (S.M.)

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