Artistas aguardam a revisão orçamentária
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 25 de junho de 2004
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
A tensão foi aparentemente aplacada, mas a expectativa continua grande depois da reunião convocada anteontem pela Secretaria Municipal de Cultura para explicar os motivos do atraso no repasse de verbas do Promic.
A proposta oficial de revisão orçamentária dos projetos aprovados está sendo recebida com cautela pelos produtores. ''Meu projeto vai decolar neste segundo semestre. Quero ver como vai ficar. Espero que não cortem nada, pois com o atraso no repasse de verbas já estou há dois meses sem receber cachês'' queixa-se Silvia Cristina Vieira, que trabalha num projeto de dança para idosos.
A iniciativa prevê a montagem de coreografias de danças típicas de países cujos imigrantes constituíram a história de Londrina. O projeto envolve moradores dos bairros Aquiles, Maria Cecília, Vivi Xavier e São Francisco. Ela conta que este é seu terceiro ano consecutivo à frente da experiência e o primeiro a apresentar problemas.
Salienta que, se os cortes forem necessários, não haverá outro jeito a não ser adequá-lo às novas condições. ''A Secretaria de Cultura não tem culpa. Acredito que o dinheiro foi redirecionado para outras áreas'' diz, desconfiada. A crise obrigou a mudanças no cronograma de vários eventos culturais agendados para este segundo semestre.
O Museu Histórico já havia anunciado uma programação paralela da exposição ''O Povo que Fez e Faz Londrina'', inaugurada em maio comemoração aos 70 anos do município. A alegada escassez de verbas da Prefeitura, porém, obrigou ao adiamento de espetáculos e concertos. ''Não podemos fazer gastos sem ter dinheiro em caixa'' argumenta a presidente da Sociedade Amigos do Museu (SAM), Maria Lopes Kireeff.
Ela avalia que, com a reunião de anteontem, a Secretaria de Cultura revelou disposição para abrir um canal de negociação com os empreendedores. ''Antes, todos nós estávamos perdidos. Agora poderemos tentar uma solução juntos'' completa. Já o produtor Marcelo Domingues Oliveira está com um pé atrás, temendo que sua empreitada seja inviabilizada pela anunciada revisão orçamentária dos projetos.
À frente do Festival Demo Sul, dedicado a bandas independentes, ele conta que o atraso no repasse de verbas já lhe rendeu muita dor de cabeça. ''Tive que adiar um simpósio sobre música independente, que seria realizado esta semana com presença de nomes importantes como Kid Vinil, Humberto Finatti, Fabiana Batistela e Fabrício Nobre'' lamenta.
Uma série de shows prevista para divulgar o CD ''Demo Sul'' (coletânea reunindo gravações ao vivo das bandas participantes da edição 2003 do Festival) também foi temporariamente limada do calendário. ''Agora preciso ter certeza que o dinheiro vai sair para definir o elenco do Festival. Cada banda tem uma agenda. Não dá para ficar nessa dependência. E, além do mais, o projeto sofreu um corte de 20% no orçamento original. Se houver mais uma redução, mínima que seja, toda a estrutura será afetada'' explica.


