Artista vai expor no Vaticano
Juarez Machado tem muito a comemorar além da mostra de esculturas em Paris e da preparação das exposições no Brasil e em Boston no ano que vem. Ele está entre os apenas cinco artistas plásticos convidados para a exposição Roma, cidade eterna no despertar do terceiro milênio, que acontece no Vaticano a partir do próximo dia 12 de outubro. O Centro Cultural Saint Louis, da Embaixada Francesa junto à Santa Sé, responsável pela organização do evento, escolheu um artista plástico de cada continente, além de alguns artistas italianos, para retratar a espiritualidade de Roma.
Além do brasileiro participam da exposição Elizabeth Chedanne, de Vancouver, Marc Rambeau, de Sidney, Fodé Camara, de Dakar, e Choi Gene Uk, de Seul, praticamente desconhecidos no Brasil. A convite dos organizadores e patrocinadores, entre eles a Alitalia e o Banco de Roma, eles passaram um mês vivenciando, sentindo e buscando traduzir para a pintura a linguagem espiritual da cidade.
Juarez Machado é um sedutor e esta sedução é bem marcante em sua pintura. Está no primeiro time dos pintores contemporâneos brasileiros, diz o responsável pela mostra na Itália, Jean-Victor Martin. Casado com uma catarinense de Laguna, ele conheceu Juarez Machado através de seu irmão, Edson Machado. Jean-Victor não sabe, no entanto, se esta exposição virá ao Brasil. Vai depender de sua repercussão e também do interesse das instituições italianas presentes no Brasil.
Entre outros símbolos, o artista retratou as fontes de Roma, em Terra Santa; os personagens, as ruelas e suas lambretas em Via do povo; e a arquitetura da torres e igrejas, em Oração. Cada um dos cinco artistas criou cinco quadros, todos com a mesma dimensão. Esteja onde estiver Juarez sempre faz questão de relembrar suas raízes, ao mesmo tempo em que batalha pela internacionalização da arte brasileira.
Essa experiência na Itália e a repercussão mundial dessa exposição, segundo Juarez Machado, reforçam ainda mais sua posição no mercado de artes plásticas e, especialmente, a posição da arte brasileira no exterior. Lamento muito que, diferente da música e da literatura, as artes plásticas brasileiras não têm o alcance internacional que poderia ter. Eu, junto com artistas como Cícero Dias e Sérgio Ferro, atualmente na França, além de João Câmara , de Recife e Ciro Franco, de Goiás, entre outros, temos batalhado muito para conquistar mais espaço no exterior. Com certeza trata-se de uma missão bem difícil, pois o Brasil não tem uma tradição na artes plásticas, analisa Juarez. (R.M.) Em duas horas e quarenta, o que não falta são bons sentimentos, valores heróicos e personagens perfeitos.





