Um projeto artístico-cultural. Assim, o artista plástico, poeta e músico londrinense Fernando Bastos define seu novo trabalho, a produção de um livro que inclui seis revistas criadas e publicadas nos anos 2000 e a inclusão de uma inédita, a compor o conjunto intitulado "Reviravolta". Com textos e colagens feitas todas à mão, a criação abre espaço para autores que tiverem o desejo de colaborar. "É tudo na tesourinha e tem gente que não acredita, pensa que foi feito no computador quando vê as edições anteriores".

Em preto e branco, as revistas são um convite à observação e reflexão: "A Reviravolta é uma desconstrução de textos e imagens de jornais, reutilizando elementos e situações para uma estética antropofágica, ambientalista de sentimento universal. A vida acima de tudo. É uma forma de reconstruir a realidade por meio da arte da colagem que recicla e avalia velhos problemas antinaturais condicionados. Assim, a "Reviravolta recicla, reaproveita e denuncia um alerta à consciência cósmica, mãe de todos", conceitua o criativo.

Fernando Bastos: projeto cultural, ambiental, político
Fernando Bastos: projeto cultural, ambiental, político | Foto: Marcos Zanutto

A encadernação das revistas é meta do artista que se dedica integralmente a criar. "Quero lançar o livro sobre a revista que já foi apoiada por 45 patrocinadores e pretendo imprimir 100 livros", explica. "Além do meus textos, estou convidando meus amigos para integrar o conteúdo". Não por acaso, a revista de número 7 relaciona-se, de acordo com o autor, à energia divina. "Cada revista representa um chacra e representam as sete virtudes do ser humano."

Autodidata, Bastos desenha desde os oito anos de idade e o ingresso no curso de Engenharia, na Faculdade Armando Álvares Penteado, em São Paulo, na década de 70, só deu a ele uma certeza, de que sua dedicação intensa aos desenhos não era distração, mas vocação. "Passava o dia inteiro desenhando. Fiz só metade do primeiro ano do curso e os meus colegas me incentivavam". As canetas ora destinadas às plantas da Engenharia, passaram a ser usadas nos desenhos. "Serviram para alguma coisa".

A dedicação ao ofício ganhou preferência e a arte ganhou o primeiro plano na rotina do artista. Em 1974, veio o convite para o 1º Salão de Arte Universitária, em Belo Horizonte. Foi só o começo para o artista que ganhou o patrocínio de um grande banco e deslanchou. "O convite para o salão confirmou que meu trabalho tinha valor. Daí em diante, foram 120 exposições, em seis estados", cita. O artista foi premiado nove vezes e emprestou seu talento a 40 exposições coletivas. As paisagens urbanas feitas em acrílico sobre tela são marca de Bastos. "Monto, estico as telas e faço as molduras. As paisagens são inventadas, não faço cópia".

Capas da revista Reviravolta: coleção terá o acréscimo de um novo número para o qual o artista está buscando patrocínio e colaboradores
Capas da revista Reviravolta: coleção terá o acréscimo de um novo número para o qual o artista está buscando patrocínio e colaboradores | Foto: Fernando Bastos/ Reprodução

O artista gráfico holandês Maurits Cornelis Escher é uma das referências de Bastos. "Era extremamente criativo". Na ativa, divide a rotina para atender as encomendas e desenvolver seus trabalhos autorais, como é o caso de "Reviravolta", impresso com conteúdo e personalidade. "Atualmente, estou fazendo paisagens cósmicas e estou me programando para uma exposição individual. Com trabalhos desde com dimensões desde 20x30 cm a telas convencionais, o artista plástico considera que a persistência e a reviravolta pessoais o conduzem. Contato com o autor para colaborações e patrocínio: (43) 9 9992 8603

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