Artista na acepção da palavra
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sábado, 25 de agosto de 2018
Marcos Roman <br> Reportagem Local 
Com uma trajetória de quase três décadas dedicadas às artes plásticas, Danilo Villa está ampliando seus horizontes artísticos. Produzindo letras e melodias, o londrinense acabar de assumir seu lado compositor. A primeira leva de canções do estreante já está saindo do forno e integram o álbum virtual intitulado "Invenções de Amor". As músicas do londrinense têm sido apresentadas ao público na voz da cantora Katharine e podem ser ouvidas nas plataformas digitais ou no canal da dupla no YouTube que foi batizado com o mesmo nome do projeto.

Atual chefe da Divisão de Artes Plásticas da Casa de Cultura da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Villa conta que seu envolvimento com o mundo das palavras vem de longa data. "Sempre escrevi, era o cara que escrevia na minha turma, tinha notas boas nas minhas redações, minhas poesias eram escolhidas para serem lidas pelos professores. Acho que fico tentando criar um viés sobre o que sinto e penso, tento não ser direto, como se a palavra também fosse um objeto manipulável (até certo ponto) e que precisa ser colocada no ângulo certo", afirma.
O amor está entre os temas que despertam a inspiração do novo compositor. "Amores me inspiram. Me lembro de uma vez, eu não queria conversar sobre um assunto com um amor, quando abri a boca, cantei uma música que falava do exato assunto que eu estava fugindo. Acho que meu trabalho como artista faz isso por mim, me ajuda a dizer, de uma maneira muito bacana, exatamente o que eu queria dizer", ressalta ao revelar como se dá seu processo criativo.
"Não toco nenhum instrumento. Uso o celular, penso a letra cantando e já gravo. Às vezes abro o computador e faço tudo ao mesmo tempo, canto, gravo e escrevo a letra. Eventualmente também faço um vídeo caseiro, que quando ficam bons, posto no meu Instagram", relata. "Posso ser afetado por um artista plástico que gosto muito, como foi o caso da música 'Morandi', que tem as pinturas do artista italiano Giorgio Morandi como referência direta. Posso compor afetado por pessoas, emprestando suas histórias ou sentimentos associados mesmo que não me digam nada sobre, mas que de algum modo percebo na maneira como elas se comportam, nos seus silêncios, movimentos", complementa.
Villa comenta que deve ter registradas cerca de 60 composições e dentre elas oito ganharam a voz da cantora Katharine no álbum virtual 'Invenções de Amor'. "A Katharine trabalhou comigo. Um dia ela levou o violão num jantar em casa e cantou. Me apaixonei pela voz dela e perguntei se ouviria as coisas que eu vinha gravando. Ela aceitou ouvir. Passou um tempo e num domingo, fiz uma música, a 'Morandi', e resolvi mandar para a Katharine, que gravou na hora na voz dela, com violão e me enviou. Foi um susto bom. Excitado com tudo mandei para a outra amiga, queria saber se mais alguém ia gostar, e foi muito forte, nós três, eu, Katharine e a amiga encantados com o que estávamos ouvindo, fazendo. A Katharine escreve muito também, tem um trabalho como artista plástica e a palavra é um ponto forte, teve experiências com música na adolescência, teve banda, gravou disco", destaca.
As músicas do recém gravado álbum foram gravadas no início deste ano e estão sendo postadas uma por semana no YouTube e nas plataformas digitais. "Neste sábado (25), postaremos a sétima faixa, todas estão sendo postadas junto com vídeos. "Contamos com a parceria de muita gente bacana, o Rafael Fuca, Kiko Jozzolino, Diogo Burka, Bruno Cotrim e Filipe Barthem. Nos vídeos nos ajudaram o Luis Fernando Camargo e Ana Clara Vitorelli. Gabriel Bonfim está cuidando das mídias sociais", enfatiza Villa.
O compositor londrinense define o estilo de suas composições como MPB e, apaixonado por vozes, cita alguns artistas como referências musicais, entre eles Nina Simone, Amy Winehouse, Nana Caymmi, Ney Matogrosso, Johnny Hooker e Liniker. "Gosto do drama nas vozes destes intérpretes, parece que convocam alguma coisa desconhecida que eu acho incrível que passe a existir assim, através da boca destes artistas, como um encantamento lançado no mundo. Também gosto de alguns sertanejos, como as letras e melodias de algumas músicas são desenvolvidas, um drama rasgado", comenta.
Villa diz que ainda não tem planos de lançar um CD físico com suas músicas ou promover shows com Katharine. "Não tenho planos a longo prazo, talvez porque sou amador nisso tudo, quero ver as oito músicas que gravamos no mundo. Um sonho seria ver outros cantores ou cantoras que eu admiro cantando músicas minhas", conclui.


