Quando decidiu enfrentar seus traumas, encarar a obesidade e fotografar seu próprio corpo, a artista londrinense Fernanda Magalhães jamais imaginou que os autorretratos a levariam um dia a expor em Paris.
Uma década e meia depois de montar a série ''A Representação da Mulher Gorda Nua na Fotografia'', ela se prepara para abrir uma mostra de seu trabalho na Maison Européenne de la Photographie (MEP), na capital francesa.
Fernanda viaja hoje. A exposição será inaugurada na próxima terça-feira (4 de outubro) ficando em cartaz até o dia 8 de janeiro de 2012. ''É muito bacana ver um trabalho que foi inicialmente rejeitado, receber tanta atenção e ser valorizado dessa maneira. O curador Milton Guran, do FotoRio, já me chamou de precursora no trabalho de autorrepresentação da fotografia brasileira'', diz a artista.
Guran assina o texto do catálogo que acompanha a exposição de Fernanda na Cidade Luz. Foi ele quem articulou a mostra em parceria com Jean-Luc Monterosso, diretor da Maison Européenne de la Photographie, depois de destacar o trabalho da artista dentro do evento FotoRio 2011 ao organizar a exposição ''Eu me desdobro em muitos - A Autorrepresentação na Fotografia Contemporânea'', realizada entre 30 de maio a 10 de julho deste ano no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro.
''Já desenvolvi outros trabalhos, mas as pessoas sempre pedem essa série, que na época de sua criação era considerada estranha. Hoje se tornou uma referência por romper padrões temáticos e estéticos, especialmente por causa das colagens'', assinala ela.
Fernanda usa a imagem de si mesma e de outras mulheres gordas para defender o direito de ser diferente em uma sociedade marcada pelo culto do corpo magro - vendido como ideal pela publicidade, capas de revistas e glamour das passarelas. A mostra em Paris não é a primeira realizada no exterior. De 2003 a 2008, a série fez parte da exposição ''Mapas Abiertos - Fotografia Latinoamericana 1991-2002'', organizada pelo espanhol Allejandro Castelotte e que percorreu países da Europa, América do Norte e América Latina.
Para a capital da França, ela vai levar 23 imagens de um total de 28. Elas estarão acompanhadas de trabalhos de dois fotógrafos cariocas, que também participaram do FotoRio: Rogério Reis e Edu Simões. ''Mas eu terei uma sala só com a minha série'', conta, empolgada.
Fernanda é professora dos cursos de Artes Visuais e Design Gráfico na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Tem obras nas coleções do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Museu da Fotografia de Curitiba e Museu de Arte de Londrina, além do acervo do colecionador de fotografia brasileiro Joaquim Paiva e da galerista Tuca Nissel, da Galeria de Arte Ybakatu, de Curitiba.

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