Artista de Londrina expõe em Madri
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quinta-feira, 04 de fevereiro de 2010
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
A fotografia é uma das responsáveis pelo medo das sutilezas do tempo. Arte que tem poder maior que o espelho, ela eterniza o jovem e o velho, que se admira dos anos que foram embora - vicissitudes que o fotógrafo de Londrina, Rogério Ghomes exibirá para o público madrilenho na 29º edição da Arco Madrid, uma das maiores feiras de arte contemporânea do mundo, de 17 a 21 de fevereiro.
A juventude e a velhice têm belezas que a fotografia consegue conservar e ressaltar. São as nuances do tempo e do cotidiano que Ghomes encara em trabalhos, como a série ''Todos precisam de um espelho para lembrar quem são'', que já cumpriu um itinerário pelo Encuentros Abiertos, no Centro Cultural Recoleta, de Buenos Aires, em 2008, e Funarte Foto Arte, de Brasília, em 2007.
Na série, os fotos do mar em diferentes momentos ampliam poeticamente o que somos: uma consequência do tempo.
''São sutilezas nesses fragmentos de tempo que mostram como há diferenças na simples captura de uma imagem. Como as coisas mudam no nosso cotidiano, na nossa vivência. Mudanças que acontecem de segundo em segundo. E, realmente, não importando se é um segundo ou 1 hora. As mudanças são sempre possíveis. Tanto na condição da nossa vida, como são também as paisagens'', comenta Ghomes.
Uma leitura do mundo que muda conforme a perspectiva, como acontece também com a fotografia.
Ghomes participa da exposição madrilenha com outros dois artistas do Paraná, Cleverson Salvaro e Marlon Azambuja que, atualmente, mora em Madri.
Trabalhando com conceitos clássicos da fotografia - em que o tempo também é protagonista - as fotos de Ghomes têm pouca manipulação.
O que se vê é o que o domínio sobre o filme fotográfico pode fazer. ''Não podemos negar o que a tecnologia pode oferecer. Porém, eu não fui alfabetizado dentro desta linguagem, uso métodos tradicionais. Não defendo uma ou outra, agradecendo o que o mundo da tecnologia pode ajudar'', afirma, ressaltando que a reprodução de suas obras em grandes dimensões é possível pelos novos recursos.
Ao encalço do tempo, Ghomes também aproveitará a viagem à Europa para finalizar em Londres, na Inglaterra, o vídeo ''Voltando para casa'', que começou há 2 anos.
Em 7 ou 10 minutos que deve durar o vídeo, o fotógrafo vai estendendo imagens feitas durante voos, que serão animadas num trabalho posterior.
Novamente, o artista trabalha com os conceitos da sutileza. A luz e as diferentes viagens registradas nas asas dos aviões ajudam a mostrar fragmentos da vida que muda.
''Vou terminar o vídeo em Londres porque tenho um grande amigo, o VJ Newton Oliveira, que está fazendo a trilha sonora.
O tempo não espera, mas sempre esperamos o que nos reserva, como ''Donde estoy, estoy a te esperar'', uma série de fotos de bancos desocupados que o artista começou a produzir em Buenos Aires, registrados também em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba e que serão exibidos em maio, no Festival de Xalapa, no México.
A série terá comentários do pesquisador em fotografia e curador, Antonio Navarette, que desde 2007 acompanha o trabalho de Ghomes. O cubano mora em Miami. Os dois participam de uma palaestra na Cidade do México.


