Artigas: transformação da cidade
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sábado, 20 de junho de 2015
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
João Batista Vilanova Artigas formou-se engenheiro-arquiteto na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) em 1937, onde, onze anos depois, fundou a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU). Além de seu talento como arquiteto, era militante de movimentos de esquerda. Por este motivo, inclusive, foi perseguido durante a ditadura militar, tendo que se exilar no Uruguai em 1969. A mistura das características ideológicas, intelectuais e artísticas influenciaram diretamente em sua maneira de trabalhar e seu processo criativo.
"Artigas esteve na vanguarda no modo de tratar a arquitetura como ferramenta indispensável na transformação das cidades, principalmente, na proposição de soluções. As obras dialogam com a paisagem urbana, como se fossem uma continuidade dela; há uma integração das construções com o espaço, com as cidades. Para ele, mais que uma forma de expressão, o ofício da arquitetura tinha uma função social", comenta o professor Jorge Marão, acrescentando que as obras realizadas em Londrina chamam à atenção pela inovação, ainda mais na época em que foram construídas. "São obras que aliam arquitetura à tecnologia e industrialização."
Segundo Marão, a rodoviária, grande marco para ele e para a cidade, foi diferente de tudo o que já havia sido pensado na arquitetura moderna. "É uma obra rica em conteúdo: lá, ele utiliza esquadrias metálicas, trapézio associado, concreto ciclópico. O Teatro Ouro Verde também é um primor de obra, que tem vários elementos convidativos a entrar no local, como sua estrutura arcada, as rampas de acesso à parte superior. O edifício Autolon é interessante na parte térrea, principalmente onde havia um jardim que o ligava ao Teatro Ouro Verde. A Casa da Criança é bastante inovadora com suas paredes de vidro. Enfim, o conjunto de obras imprimia uma identidade e um modo de pensar somente dele."
A arquiteta Juliana Suzuki comenta que, muito embora Artigas tenha atuado principalmente em São Paulo, deixou significativas obras na capital do Paraná e, sem dúvidas, Londrina. "Na cidade, ele teve uma liberdade criativa privilegiada tratando-se de grandes obras, e sem amarras orçamentárias, já que estamos falando de uma Londrina da década de 50. Foi uma oportunidade de experimentação das formas modernas, com a utilização de materiais tecnológicos. Temos que lembrar que ele teve uma carreira bastante longa e Londrina marca o início dessa trajetória que o projetou para o restante do País."
O resultado aqui, segundo ela, são obras com muito concreto armado e utilização de grandes superfícies envidraçadas. "Artigas representa o processo de modernização e transformação da cidade", pontua.


