São Paulo, 08 (AE) - Simbolizar, na forma de uma estatueta, o conceito do Prêmio Multicultural Estadão. Esse é o objetivo dos três artistas plásticos convidados pelo Estado para apresentar projetos de criação e execução do troféu para a premiação deste ano. Os nomes escolhidos foram Arthur Lescher, Nina Moraes e Paulo Climachauska. As propostas de cada artista serão entregues no dia 26 e o anúncio do trabalho vencedor será feito no dia 3.
A festa de entrega do Prêmio Multicultural Estadão será no dia 19 de maio. Esta é a terceira edição da premiação, que foi criada pela empresa para destacar e estimular nomes de relevo do cenário artístico e intelectual do País. A exemplo dos anos anteriores, três criadores e um fomentador (promotor e patrocinador da área cultural) vão receber as estatuetas. Cada criador também vai receber R$ 30 mil. O fomentador recebe apenas o troféu.
De acordo com a curadora Angélica de Moraes, o convite aos três artistas empresta a qualidade e a atualidade de seus trabalhos ao prêmio. "Apesar de usarem linguagens distintas, eles têm uma presença significativa na arte, principalmente a partir da década de 80 e de 90", afirma Angélica.
O convite recebido por Arthur Lescher para apresentar o projeto de criação da escultura/objeto do Prêmio Multicultural Estadão deste ano coroa uma brilhante carreira. Nos últimos anos, ele se tornou um dos principais integrantes do grupo de resistência à metaforização da arte. Ex-aluno de Carlos Fajardo, Lescher surgiu no circuito de exposições em 1997, durante a Bienal de São Paulo, quando expôs uma impactante escultura/serólito de grandes dimensões. Seu trabalho é caracterizado pela despreocupação com a escala e a proporção.
Em suas esculturas e instalações, Lescher usa materiais tradicionais (madeira, metal e pedra) e outros não convencionais, como óleo, mercúrio e sais. São peças com referenciais urbanos, arcabouços de estruturas vazadas, formas em compressão ou delicados pêndulos em equilíbrio. "Tenho um repertório de materiais e relações com o que faço e não pretende abrir mão disso para criar o projeto", diz Lescher. "O desafio é realizar um diálogo entre o contexto e minha obra."
Nome emergente dos anos 80, a mineira Nina Moraes faz parte da Geração Faap, talentoso grupo de artistas discípulo da visão conceitual de professores como Nelson Leirner, Júlio Plaza e Regina Silveira. Em plena maturidade artística, Nina, de 37 anos, valoriza a passagem do tempo e a acumulação de memória e experiência, explorando o acaso e interagindo com as formas naturais. Sua matéria-prima são fragmentos de volumes e texturas, cores e brilhos. A artista - que morou em Paris, onde sofreu influência do nuoveau réalisme - já participou de duas bienais de São Paulo e fez parte da representação brasileira na Bienal de Havana de 1997.
Paulo Climachauska é o artista mais jovem entre os convidados para criar o protótipo do troféu do Prêmio Multicultural Estadão. Nos últimos anos, destacou-se em importantes coletivas, como Espelhos e Sombras (MAM-SP, 1994), Panorama da Arte Brasileira (MAM, 1995) e City Canibal (Paço das Artes, 1998).
Na exposição de 94, que teve curadoria de Aracy Amaral, o artista paulistano mostrou a nova arte brasileira, enfatizando uma característica marcante nas artes hoje, tanto em contexto nacional como internacional: a adoção de conteúdos confessionais, humanistas, que investigam o lugar do indivíduo numa sociedade massificada. Climachauska cria objetos, esculturas e instalações pela articulação de elementos aparentemente díspares.
Para desenvolver o projeto da escultura, Climachauska pretende partir de outro aspecto fundamental de sua obra: a questão da circulação, seja a de questões básicas para a sobrevivência do homem, seja a circulação de informações. Por isso, ele acredita que o convite para criar o projeto casou perfeitamente com sua linguagem. "O jornal é um meio de circulação que tenta dar uma medida para o mundo e o meu trabalho traz essa idéia", analisa o artista.
Os dez criadores indicados para concorrer ao Prêmio Multicultural Estadão foram: o poeta e compositor Arnaldo Antunes, o músico Carlinhos Brown, a companhia de dança Quasar, o diretor teatral José Celso Martinez Correa, o diretor Júlio Bressane, o psicanalista Jurandir Freire Costa, o escritor Luis Fernando Verissimo, o músico Marco Antônio Guimarães, a cientista social Maria Isaura Pereira de Queiroz e a escritora Zulmira Ribeiro Tavares.
Indicados - Os quatro fomentadores indicados são o editor do Suplemento Literário de Minas Gerais, Carlos ávila; o diretor da Pinacoteca do Estado, Emanoel Araújo; o criador do Pólo Cinematográfico do Ceará, Maurice Capovilla; e o criador e editor da Iluminuras, Samuel Leon.
A escolha dos indicados é feita por uma comissão formada por nomes relevantes do cenário cultural brasileiro. Nesta edição do Prêmio Multicultural Estadão, a comissão foi integrada por Berenice Menegale, Gerd Bornheim, Jean-Claude Bernardet, José Miguel Wisnik, Paulo Cesar Souza, Roberto da Matta, Renato Janine Ribeiro, Rogério Duarte Guimarães e Wilson Bueno.
Na primeira edição do prêmio, em 97, o troféu foi criado por Amélia Toledo. No ano passado, a obra escolhida foi produzida por Ana Maria Tavares.

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