Arraial d’Ajuda - Aviso aos navegantes: as lojas d’Ajuda só abrem depois das 17 horas. Abrir antes para quê, se até essa hora as pessoas estão na praia? Lá a coisa funciona mais ou menos assim: de manhã se dorme até as 10, 11 horas e, depois do café, praia. No fim do dia, sobe-se o ladeirão de volta. Então, os restaurantes enchem. Todos ávidos por um almoço ‘‘ajantarado’’. Aí, é claro, bate um sono danado. Compras só depois do merecido descanso. E, tarde da noite, a balada.
  Mesmo com as lojas fechadas, vale a pena um passeio pelo povoado. Imagine: céu de um azul intenso, caminhos de terra verdejantes e pontilhados de florzinhas que levam a praias de areia clara e mar transparente. Casas pintadas de amarelo, rosa-choque, vermelho, abóbora, lilás e outras tonalidades que, a olhos desacostumados, podem parecer exóticas. Por toda parte, luminárias e lanternas de pano e papel com motivos florais, geométricos, marinhos.
  Tudo é colorido no Arraial d’Ajuda. Tanto que seus sentidos ficam zonzos. O artesão Gilenildo Arcanjo Lima, o Leno, de 32 anos, percebeu que os visitantes do Arraial se encantam com as casas coloridas em tons forte do lugar. ‘‘Por que não levá-las de lembrança?’’, pensou. E passou a fazer réplicas em barro, bem pequenas, como imãs de geladeira que custam R$ 1,50, ou grandes, por R$ 14,00, negociáveis.
  Ficam lindas enfileiradas na parede, como se fosse uma rua do Arraial. ‘‘Embalei’’, conta Leno. Ele mesmo vende suas peças num pequeno imóvel alugado no número 55 da Broadway.
  O Beco das Cores, com suas lojinhas de moda, acessórios e decoração, faz jus ao nome. Lá, cada espaço é transado e decorado com bom gosto. Café, creperia, lanchonete, sushi-bar, pizzaria, bares e restaurantes. No mesmo local tanto se pode tomar uma boa cachaça como fazer uma tatuagem. Cada cantinho, uma ‘‘viagem’’. Plantas, flores, luz, toques de purpurina. Artesanato original, criativo. O artesanato da região, aliás, é de enlouquecer consumistas em geral.
  Por toda parte, enfeitando casas, lojas, bares e restaurantes, há lanternas. De tecido, crochê, contas, conchas, pedrinhas. Variadas, coloridas, diferentes. Uma luminária com pombinhas de papel, entremeada de contas opacas e brilhantes, custa R$ 80,00. Uma bem simples, mas com efeito surpreendente na hora que se acende a luz, sai por
R$ 20,00.
  Antes de comprar, dê uma boa olhada porque o preço varia muito para a mesma peça, às vezes, na lojinha do lado. E pechinche. O desconto é líquido e certo. (R.B.)

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