Artesanato com garra
Com a carreira na área educacional interrompida precocemente, a londrinense Neuza Alves Ferreira, de 62 anos, hoje atua na comunidade como vice-presidente da Associação dos Trabalhadores Artesanais de Londrina (Atal) da qual foi uma das fundadoras e presidente por quatro anos e como conselheira municipal de Cultura na área de artesanato.
Ela sempre gostou de trabalhos artesanais, mas o envolvimento maior nessa área se deu nos anos 80. Nascida na Vila Nova, aos dois anos e meio Neuza teve paralisia infantil. ''A paralisia naquela época não era conhecida, só fui descobrir a doença depois de moça. Fiz três cirurgias. Melhorou bem, mas não sarou tudo. No entanto, a minha deficiência física nunca atrapalhou nada na minha vida. Fui uma criança danada''.
Membro de uma família de oito irmãos, Neuza Ferreira concluiu o curso de Pedagogia no Cesulon em 1973. Como orientadora educacional trabalhou em escolas e na Secretaria Municipal da Educação. Em 1978, ela teve um acidente e foi aposentada por invalidez. ''Cortei o pé em uma pedra e deu inflamação dos vasos sanguíneos'', relembra. ''Mas não desanimei. Nunca digo que não dá para fazer uma coisa. Digo que é possível e luto'', salienta.
Foi então que Neuza se dedicou ao artesanato. ''Um dia fiz um curso e uma pessoa me disse que o artesanato de Londrina era o pior do Paraná. Isso me doeu! Junto com uma professora comecei um trabalho. Fizemos cursos de treinamento e aperfeiçoamento'', conta. Para formar a Atal em 1996, elas reuniram várias associações de mulheres com a finalidade de desenvolver um artesanato com a cara de Londrina e que fosse uma possibilidade de fonte de renda familiar.
Além de desenvolver trabalhos artesanais com tear, retalhos, bijuterias, couro e cestaria, a associação que tem 61 integrantes realiza projetos conjuntos com as secretarias da Ação Social, da Mulher e da Cultura. ''Participamos de feiras para nos aperfeiçoar, fazemos pesquisas e participamos de projetos. Gosto muito do que faço. Quero ver o artesanato crescer em Londrina''. O trabalho da Atal pode ser conferido na Feira do Coreto/Calçadão, que acontece na Semana da Mulher, de hoje ao dia 15.
Sempre envolvida com trabalhos na comunidade, Neuza Ferreira nunca se casou. ''Eu deveria ter uma natureza parada, mas não tenho. Acho que por isso sou jovem até hoje'', diz. Catequista da Paróquia Nossa Senhora do Rosário desde 1963, ela também integrou a Associação das Mulheres do Jardim Paulista, onde mora.(J.S.)





