Os pintores impressionistas ficaram boquiabertos. Foram os primeiros artistas ocidentais a se entusiasmar com as gravuras japonesas, a ponto de incorporar alguns de seus elementos ao próprio repertório num dos mais famosos casos de influência artística da história.
Não será surpresa se a exposição ''Artes Visuais do Mundo Flutuante'', em cartaz a partir de hoje no Museu de Arte de Londrina, provocar nos visitantes o mesmo êxtase que arrebatou Toulouse-Lautrec, Manet, Monet, Degas e também Van Gogh no século 19. A exposição será inaugurada nesta quinta-feira, às 20 horas, ficando aberta até o dia 7 de julho.
''Ela reúne gravuras produzidas durante a Era Edo, quando o Japão ficou isolado do mundo mantendo relações apenas com a Holanda e a China. Na época, o país experientou um longo período de paz, o que favoreceu o florescimento da literatura e da arte popular'' explica Maria Fusako Tomimatsu, coordenadora do Núcleo de Estudos de Cultura Japonesa da UEL e idealizadora da mostra.
No caso da gravura, a efervescência era facilitada pela capacidade de reprodução de um mesmo original, sendo que cada cópia mantinha o status de obra de arte única, desde que devidamente autenticada pelo artista. A Era Edo foi instaurada pelo shogunato Tokugawa a partir de 1603. Depois de uma fase de euforia e desenvolvimento, entrou em declínio no século XIX, quando o governo passou a proibir uma série de atividades, entre elas as manifestações artísticas.
Em tal ambiente, vários artistas continuaram a produzir gravuras de ótima qualidade, mas nada de mais criativo ou inovador. A Era Edo chegou ao fim com a Restauração Meiji de 1868, que iniciou a modernização e ocidentalização do Japão.
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