A ótima exposição que será inaugurada amanhã, ''Yoko Ono, uma Retrospectiva'', no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo, e mesmo a carreira da própria artista, uma das pioneiras da arte conceitual, parecem muito deslocadas em relação ao que foi visto na última quinta, no Teatro Municipal, em ''Uma Noite com Yoko Ono''.
Enquanto no CCBB estão algumas peças históricas, como as ''Instruções'', e mesmo trabalhos recentes bastante significativos, a performance da última quinta foi de um simplismo estarrecedor. Com um terno branco, Yoko entrou no palco e imediatamente tirou a roupa, revelando um conjunto de bermuda e camisa pretas. Contudo, uma ação que pretendia-se simbólica, como mudar a roupa glamourosa para outra escura e simples, foi vazia.
Em seguida, Yoko atravessou a moldura de um espelho, sem ele, que estava sobre um pequeno tablado coberto de tapetes. Mais uma ação de simbolismo frágil.
Às vezes, uma nostalgia profunda era vislumbrada, especialmente pelas imagens projetadas no imenso telão, como as de John Lennon, seja com o filho Sean, seja em manifestações de protesto.
Pior foi o final, quando o grupo de músicos que acompanhou a artista passou a tocar samba, provocando passos um tanto desequilibrados de Yoko. Poderia ser charmoso, mas apenas culminou o roteiro de constrangimentos da noite. Ao final, Yoko arrancou muitos aplausos. Afinal, era mito que o público queria e para quem quer mito, a mera presença já é suficiente, mesmo que embaraçosa.(Leia matéria especial sobre Yoko Ono amanhã na Folha2)

mockup