ARTES PLÁSTICAS - Visões simbólicas do SINCRETISMO
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de setembro de 2007
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba já conhece Emanoel Araújo pelo seu trabalho como curador de importantes exposições, como a das obras do Museu de Solidariedade do Chile, que continua em exibição no Museu Oscar Niemeyer. Agora é a vez de conhecer um pouco da produção do artista, escultor, gravador e designer gráfico, em sua exposição ''Autobiografia do Gesto'', que abre hoje às 11 horas no Museu Oscar Niemeyer e permanece aberta ao público até 27 de janeiro.
A exposição, com curadoria de Agnaldo Farias, é uma antologia dos 45 anos de trabalho de Emanoel, que em 45 anos de criações acumula diversas premiações e hoje figura nos principais museus brasileiros. A mostra reúne 250 obras, a maioria esculturas e gravuras feitas ao longo da carreira. Mas há também cerca de 120 obras gráficas, como cartazes, livros, programas e convites desenhados por ele para exposições próprias ou para a programação de espaços culturais que dirigiu. E os espaços que já tiveram a mão de Emanoel não são poucos. O artista plástico já dirigiu o Museu de Arte da Bahia, a Pinacoteca do Estado de São Paulo e atualmente dirige o Museu Afro Brasil, que idealizou e fundou em 2004.
''É uma leve retrospectiva, não daquelas que finaliza, que congela o artista, mas mostra um pouco de meus 40 e tantos anos de trabalho. E eu acho sempre surpreendente ver uma exposição minha, porque fico imaginando o quanto já trabalhei nessa vida'', diz Emanoel, que confessa que sempre trilhou os caminhos mais difíceis da linguagem artística, ao escolher a escultura como sua principal manifestação. ''Expressar-se tridimensionalmente é complexo porque exige tensão e atenção vigiadas porque sempre estamos desafiando o espaço'', avalia.
O principal destaque da mostra é o conjunto ''Cosmogonia dos Símbolos'', que reúne 30 trabalhos, a maioria produzida entre 2006 e 2007. ''São visões simbólicas do nosso sincretismo religioso, dos afro-brasileiros, do culto dos orixás. Mas não são uma interpretação latu-sensu da religião, é uma interpretação artística'', explica. Os trabalhos misturam formas geométricas esculpidas em madeira, muitas vezes fragmentos de madeira torneados pos séculos 18 e 19 com outros materiais como miçangas, pedras, vidro, ferro e aço. Muitos têm cores vivas, que reproduzem as cores dos próprios orixás.
A mostra traz, ainda, a série Máscaras e um conjunto de estantes, dedicado a Louise Nevelson, dedicado á artista russa radicada nos Estados Unidos, além de oito relevos. Em praticamente todo o trabalho desse baianao, natural de Santo Amaro da Purificação, o que se percebe é o grande apreço do artista pela cultura africana. É o caso da árvore Baobá, escultura que simboliza a Árvore do Conhecimento, existente na África, e que homangeia os milhares de escravos que morreram no Brasil.
SERVIÇO:
- Exposição Emanoel Araújo - Autobiografia do Gesto
Quando - Hoje até 27 de janeiro de 2008, de terça a domingo, das 10h às 18h
Onde - Museu Oscar Niemeyer, na Rua Marechal Hermes, 999 -Centro Cívico, em Curitiba
Quanto - ingresso a R$ 4 e R$ 2,00 para estudantes. Crianças até 12 anos e maiores de 60 anos não pagam


