Rio de Janeiro - Vera Fischer, de 55 anos, ouviu os amigos, deixou a vergonha de lado e decidiu revelar sua nova faceta: a de artista plástica. Em parceria com o curador Ricardo Kimaid, a atriz selecionou 25 telas de sua autoria e se prepara para a abertura da mostra ''Female'', hoje (para convidados), no Centro Cultural Solar de Botafogo, no Rio. ''Estou nervosa. Expor meus quadros é me mostrar inteira'', diz.
Ela não se refere apenas ao fato de as telas serem criações suas. É que as mulheres de quase todas as suas obras são, ainda que de forma subjetiva, representações dela mesma. ''Pintei uma mulher no meu segundo quadro e achei interessante. Passei a retratar sempre mulheres e vi que todas eram eu mesma. Por meio delas, coloco meu universo para fora. Em vez de fazer análise, eu pinto'', diz.
A atriz conta que tem o costume de visitar museus e de comprar livros de arte, mas, até julho do ano passado, diz, jamais tinha pensado em pegar nos pincéis. A idéia surgiu quando o filho, Gabriel, comprou telas e tintas para registrar temas relacionados à sua banda de rock. ''Disse para mim mesma: ''Vou pintar também'. Fiz a primeira, chamada ''Kaos', uma coisa meio maluca, gostei e decidi continuar'', conta Vera, que já criou cerca de 130 telas. A atriz nunca frequentou cursos de artes plásticas nem pensa em se matricular em um deles.
Vera vê em suas telas a influência de Henri Matisse (1869-1954), um de seus pintores favoritos. O artista francês só não é mais importante para Vera que Gustav Klimt (1862 -1918), que, entretanto, não teria tanta presença em sua obra. ''A única influência de Klimt é o dourado em alguns quadros''. Será?

mockup