Curitiba – Pela primeira vez, o Paraná vai receber obras do escultor francês Auguste Rodin. Composta por seis esculturas e 25 reproduções fotográficas de desenhos do artista, a mostra abre hoje, sem muito alarde, no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba. Nem mesmo uma solenidade oficial de abertura – comum nos grandes museus e exposições significativas – foi reservada para a mostra. As obras que integram a exposição fazem parte do acervo da Pinacoteca de São Paulo, que detém o maior conjunto de obras do escultor francês no Brasil.
O acervo é recente – começou a ser composto na década de 90, por meio de uma campanha. Depois de receber ajuda da população, de empresas privadas e doações, a Pinacoteca conseguiu reunir as obras que chegam hoje em Curitiba. O museólogo Emanuel Araújo, ex-diretor da Pinacoteca e responsável pela compra das obras, lembra que a primeira obra, das nove que integram o acervo da Pinacoteca, foi adquirida em 1995 com a ajuda da população. ‘‘É o maior acervo do Rodin na América Latina, acho estranho um material tão expressivo ir para outra cidade nessas condições’’, disse ontem, por telefone, se referindo à pouca divulgação da mostra em Curitiba.
Araújo, que passou dez anos à frente da Pinacoteca, soube da tranferência do acervo de São Paulo para Curitiba pela reportagem da Folha. A mostra é a primeira realizada no MON com apoio da Lei Roaunet, lei federal de incentivo à cultura, em projeto orçado em R$ 350 mil. Estava prevista para ser inaugurada no último dia 12, mas cedeu espaço para mostra fotográfica ‘‘O patrimônio cultural do mundo na China’’, promovida pela Associação Chinesa do Paraná e ainda em cartaz no museu.
A diretora do MON e primeira-dama do Estado, Maristela Requião, não foi encontrada para falar sobre o atraso nem sobre o motivo de uma exposição de tão grande porte abrir sem divulgação antecedente. Maristela está na Espanha, acompanhando o governador Roberto Requião (PMDB) numa viagem de negócios.
René François Auguste Rodin nasceu em Paris em 12 de novembro de 1840 e morreu em 1917. Nascido numa família pobre, começou a estudar desenho na adolescência. Aos 18 anos, após ser reprovado três vezes no exame de admissão à Escola de Belas-Artes, passou a trabalhar como moldador, confeccionando objetos ornamentais até ser reconhecido mundialmente.
Algumas das obras do artista estão entre as mais famosas da escultura européia e universal. Ele dominou como ninguém o bronze e o mármore e o rigor anatômico nas esculturas está entre uma de suas principais características. Rodin deixou centenas de esculturas, inúmeras inacabadas propositadamente, dando a impressão de que a figura estava saindo da pedra, recurso pouco utilizado na época.
A mostra de peças do escultor em Curitiba antecede um dos maiores eventos dedicados ao artistas já realizado no Brasil. Em novembro, inaugura em Salvador, na Bahia, o Museu Auguste Rodin que vai abrigar em regime de comodato com o museu Auguste Rodin, em Paris, 62 obras do escultor. O projeto do espaço baiano é assinado por Marcelo Ferraz, mesmo arquiteto que integrou a equipe de Oscar Niemeyer na construção do MON.
A exposição fica em cartaz em Curitiba atá o dia 31 de outubro, ocupando a Sala 4 do MON. Depois segue para Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS). As esculturas já estiveram no Recife, Fortaleza, Salvador, Brasília, Santos e Campos do Jordão.

SERVIÇO

Mostra Auguste Rodin, a partir de hoje no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba. Em cartaz até o dia 31 de outubro, com visitação de terça-feira a domingo, das 13h30 às 18h30. Ingressos a R$ 4,00 e R$ 2,00 (estudantes, menores de dez anos e maiores de 60 anos).

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