ARTES PLÁSTICAS - Construtivismo e arte
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 31 de julho de 2007
Claudio Yuge<BR>Equipe da Folha 
Em ''A Lição do Amigo'', de 1982, o escritor Carlos Drummond de Andrade revelou o conteúdo de algumas de suas cartas enviadas por Mário de Andrade. O material não só revela as palavras de dois amigos e nomes consagrados da literatura brasileira como também tem a própria a capa criada por alguém muito próximo do poeta. A arte do livro é hoje parte do acervo que vai à exposição do carioca Luiz Geraldo Dolino, em mostra que será aberta no próximo dia 7 e fica na Galeria da Caixa, em Curitiba, até o início de setembro.
Luiz Geraldo Dolino nasceu em Macaé, no Rio de Janeiro, em 1945, e estudou na Escolinha de Arte do Brasil. Em 63, participou do grupo Mambembe e dois anos depois foi aluno de Ivan Serpa no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. A partir de 72, foi para a Europa, de onde passou por diversas capitais ao redor do globo, em países como Estados Unidos, México, Bolívia, Uruguai, Argentina e Costa do Marfim, antes de retornar ao Brasil, em 86.
A intimidade com Drummond veio fora do plano cultural. ''Minha ligação com o Drummond não se dá no plano intelectual. Eu era muito ligado à família dele e essa relação de afeto me tornou procurador dele, o que não tem nada a ver de intelectual. Mas essa proximidade me deixou mais íntimo e esses trabalhos, como o da capa da 'A Lição do Amigo', foi uma maneira de me aproximar artisticamente dele'', lembra Dolino.
O pintor viveu perto de Drummond até os últimos dias do poeta e seguiu muito próximo da família por meio da grande amizade com a filha de Carlos, Maria Julieta, também escritora.
Com a experiência adquirida em suas viagens, veio a definição de seu estilo, que segue as idéias do construtivismo. ''É um trabalho abstrato, que procura o assunto ritmo. Eu uso os valores matemáticos usados na música, que são harmonia, ritmo e melodia, e desses eu procuro somente o ritmo em pinturas geométricas'', explica o autor.
O estudo de estruturas subjetivas sob o olhar lógico formal da matemática é um dos assuntos levados à tona pelo autor em diversos seminários mundo afora. Antes de desembarcar em Curitiba, Dolino esteve em três continentes diferentes para falar sobre sua obra, somente no primeiro semestre deste ano. ''Abri o ano com uma exposição na Romênia, depois fui para a Tunísia e Trinidad e Tobago'', afirma.
No currículo, são diversos trabalhos, tanto em mostras individuais quanto coletivas, em vários países, desde 1965, quando expôs pela primeira vez no XV Salão de Arte Moderna. Depois da boa estréia, suas obras passaram pelas principais galerias do Brasil, Uruguai, Argentina, Paraguai, Itália, Inglaterra, Estados Unidos, Equador, Peru, Índia, Japão, Suécia, Portugal, Marrocos e, mais recentemente, em países da África.
Em Curitiba, serão 35 obras, entre originais de capas de livros de Drummond até textos manuscritos do próprio poeta. ''Parte dessas obras que vão para a exposição foram capas de livros do Drummond, então a gente vai colocar na mostra os livros e ampliações dessas capas, que são os originais'', adianta Dolino. Depois da capital paranaense, o material do artista deve seguir para Chicago, em novembro.
SERVIÇO:
- Mostra retrospectiva do pintor Luiz Dolino, de obras de 1980 a 2007
Quando - De 7 de agosto até 2 de setembro; visitação de terça a quinta, das 10h às 19h, e de sexta a domingo, das 10h às 21h
Onde - Galeria da Caixa, na rua Conselheiro Laurindo, 280
Quanto - A entrada é franca


