ARTES E MANHAS DO CIRCO
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quarta-feira, 23 de maio de 2001
Jackeline Seglin De Londrina 
Não há uma criança que não se encante com as magias do circo. As gargalhadas, os risos tímidos e até o choro medroso estampam as reações dos pequenos, sentados na arquibancada a admirar o espetáculo. O palhaço, o malabarista e o trapezista roubam olhares atentos da platéia. O circo proporciona alegria, fantasia e emoção para o lado de fora do picadeiro. Mas quando apresenta a arte a uma criança, mostra a outra face mágica do circo: a do artista.
Durante quase duas semanas, 48 estudantes com faixa etária de 7 a 14 anos participaram do Projeto de Maio do Filo Oficina de Circo, com os artistas Denise Wal e Jailton Carneiro, da Central do Circo, de São Paulo. Ela é artista do picadeiro há seis anos e desde 2.000 participa do Circo Nosotros junto com Jailton, que está na carreira há 12 anos. Ambos trabalham com crianças de periferia na Grande São Paulo e fazem parte da Central do Circo, uma associação de quatro grupos (Nosotros, Linhas Aéreas, Circo Mínimo e La Mínima), que serve como referência, integração e intercâmbio circense.
Os alunos da oficina fazem parte do projeto Núcleo de Convivência do Centro Social Urbano, da Secretaria Municipal da Ação Social parceria do Filo. Observados por duas monitoras do projeto, os participantes desenvolveram um trabalho de iniciação ao circo, com técnicas de acrobacias, pirâmides, mini-tramp, malabares (aros, bolas, claves, lacinhos e pratos), tecido, corda indiana, trapézio e pernas de pau. O resultado será apresentado amanhã, às 15 horas, no ginásio da Afugel, para familiares, convidados e público em geral.
Trabalhar com jovens de periferia é uma tarefa que Denise Wal e Jailton Carneiro encaram como desafio, mas com muita relevância. Dá prazer lidar com esses adolescentes porque eles são mais abertos a experiências e, por isso, desenvolvem mais as habilidades, constata Denise Wal. Como gostam do que fazem, se dedicam ao máximo e os resultados chegam a ser surpreendentes.
Para Denise, o trabalho de picadeiro com crianças sempre é muito proveitoso. O circo desperta certas coisas muito boas para elas. Agora, por exemplo, os alunos aprenderam a lidar com a disciplina. Foi uma mudança considerável do início até o final da oficina.
O grupo apresentou revelações na arte circense, em especial nos exercícios no tecido, nos saltos e nos malabares com bolinhas. Três dos alunos, moradores da Vila Marísia, mostraram grande empenho, o que lhes rendeu um envolvimento maior nas atividades. Ezequiel, de 13 anos, pode não saber lidar tão bem com as palavras como faz com os tecidos. Nas alturas, a habilidade responde por ele. Tímido, confessa ter ficado pouco à vontade antes de participar da oficina. Com a experiência, Ezequiel passou a acreditar em uma possibilidade: o circo pode mudar sua vida.
Giovana, 14 anos, gostou mesmo da corda indiana e também acha que um caminho é se profissionalizar no circo. Foi legal porque nenhum de nós tinha feito isso e agora aprendemos uma coisa nova. Assim como ela, Aparecida, de 13 anos, tem a expectativa de continuar com as atividades. No ano passado, a garota participou da outra oficina de circo no Filo, fato que a motivou a voltar para uma nova experiência. Queria que continuasse. Depois que acabou o curso no ano passado, não fizemos mais nada. Só estrelinha no campo de futebol para treinar, conta.
Quanto à continuidade do projeto, Denise Wal argumenta que é preciso um acompanhamento para a formação de oficineiros. Existem em Londrina pessoas que dão aulas e podem se aprimorar para acompanhar as crianças, afirma. Acho fundamental dar a elas uma possibilidade de profissão. O Jailton (Carneiro) é um grande exemplo disso. Ele veio da Escola Picolino e do projeto Axé (na Bahia), que trabalhava com jovens da periferia, explica.
Apresentação do resultado da Oficina de Circo ministrada por Denise Wal e Jailton Carneiro, da Central do Circo (SP). Amanhã, às 15 horas, na Afugel (Associação de Funcionários da Grande Londrina atrás da garagem da TIL).


