ARTES CÊNICAS - Uma prova de GRANDE FÉ
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sábado, 15 de março de 2008
Claudio Yuge<br> Equipe da Folha 
De todos os feriados religiosos do ano, a Sexta-feira Santa e a Páscoa talvez sejam os mais lembrados por católicos, cristãos e até mesmo por quem não liga muito para essas datas. Talvez porque sejam as primeiras a chamar a atenção da população para a religiosidade em cada ano ou porque a maioria sinta um pouco de culpa pela bagunça feita no Carnaval. Uma coisa é certa: as pessoas nunca esquecem, pois além de uma bela história de fé, essas passagens movem encenações muito bonitas.
Uma das encenações mais bem estruturadas para contar essa história é a do espetáculo ''Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo'', realizado pela Prefeitura de Guarapuava, em parceria com a Diocese de Guarapuava. Mais de 50 mil pessoas devem conferir a montagem deste ano, que acontece na próxima sexta-feira, às 19 horas, na Praça da Fé, em Guarapuava. E, para não desapontar os fiéis, é preciso muito trabalho e dedicação, além de fé, para fazer jus às passagens bíblicas e também servir de inspiração aos mais jovens e pessoas mais afastadas da religiosidade.
O espetáculo move toda a cidade, um mês antes de sua apresentação. A Cia. de Teatro Arte e Manha, responsável pela montagem, reúne aproximadamente 650 atores amadores, de dez paróquias da cidade, e, dois meses antes do espetáculo, inicia análises de roteiro e aulas de iniciação teatral, assim como técnicas de interpretação, para que o elenco possa desempenhar com mais cuidado, fidelidade e tranquilidade seus papéis durante a encenação.
''Antes, cada paróquia tinha a sua encenação e o pessoal então decidiu que queria reunir em apenas um espetáculo. Então juntamos tudo e mantivemos os atores amadores, porque é uma coisa da comunidade, deles. Os fiéis acreditam na história que estão contando e humildade, disciplina e fé ajudam a montar o espetáculo, principalmente pelo pouco tempo que temos'', explica a diretora Rita Felchak, que há cinco anos comanda a atração.
O palco da apresentação deste ano conta com 180 metros de largura, onde a peça se desenvolve em três pontos com 250 refletores, um telão central e dois laterais e estrutura de som comparável a grandes shows musicais. Nesta edição, serão utilizadas técnicas circenses, de teatro contemporâneo, trabalho com sombras, pirofagia e efeitos especiais, além de utilização de recursos audiovisuais.
''Mudamos um pouco a estrutura do palco, aumentamos os ângulo e a metragem dos palcos laterais para ficarem mais pertos do público. São muitas pessoas e precisamos dar mais visibilidade'', justifica Rita. ''A história é sempre a mesma então tentamos mudar um pouco o jeito de contar. Além disso, é muita gente e o público fica distante, então temos que trabalhar bastante com imagens. O que mudamos, como o trabalho com sombras, é para enriquecer, dar mais emoção'', complementa.
A passagem de maior intensidade e grau de dificuldade na montagem, é, segundo Rita, a Via Sacra. Nesse momento, todos os atores de todas as dez paróquias envolvidos nos ensaios se reúnem para a sequência crucial da peça. ''A Via Sacra é o momento em que todas as paróquias estão juntas, é um momento de grande emoção. É um momento que os atores também não podem errar, eles precisam interpretar e também fazer força física'', comenta a diretora.
Para Lidamir Thimóteo, de 52 anos, participar pela quinta vez da montagem não significa somente lembrar e homenagear uma importante data cristã como também faz parte da tarefa dos fiéis envolvidos na peça. ''Nosso lema é evangelizar através da arte'', comenta a senhora. ''Sou a mulher que intercede Jesus na cruz'', explica seu papel na peça.
A peça, de acordo com a diretora Rita Felchak, é composta 90% por jovens, o que, para Lidamir, é um estímulo para os fiéis mais velhos. ''É tão difícil trazer os jovens para a Igreja, que daqui a pouco vai ficar muito velha! Então, com a ajuda do teatro e da música, estamos conseguindo mostrar para outras mães que é possível trazer aquele filho mais afastado para a paróquia'', diz a mãe de quatro filhos, três participante da encenação. ''Tem um que interpreta Jesus e mora em Curitiba e vem para cá só para a peça'', orgulha-se.
Exemplo de dedicação também pode ser visto com os atores amadores que a princípio ensaiam as cenas em suas próprias paróquias, durante a noite e nos finais de semana, para posteriormente participarem dos ensaios na Praça da Fé, quando todo o elenco é reunido para que o espetáculo seja ensaiado por inteiro.
''Esse ano foi mais difícil, tem uma coisas com sombras, meus filhos e eu tivemos que ''rodar'' várias paróquias. Mas foi bom para interagir para ter fé. A vida da gente é regada de fé. E se você não tem fé, não tem esperança'', reflete Lidamir.


