ARTES CÊNICAS - Um tema delicado
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de junho de 2006
Maria Angélica Abramo<br> Especial para Folha 2 
O grupo canadense Théâtre Les Deux Mondes apresenta hoje, no FILO, o espetáculo ''La Historia de La Oca'' - a tradução é ''A História do Ganso'' - que narra o drama do menino Maurice, vítima da violência doméstica praticada pelos pais e obrigado a manter o silêncio sobre os castigos que lhe são impostos. Um tema atual e delicado.
Realidade em todas as culturas e sociedades, a violência cometida contra crianças é assunto indigesto. Mas no texto do dramaturgo Michel Marc Bouchard, as cenas surgem lúdicas e repletas de humor sofisticado para tratar um tema tão grave. O autor consegue demonstrar de forma até divertida que o teatro ainda é o local das denúncias e discussões conflitantes da conduta humana, remetendo o público à própria origem e aos significados mais profundos das artes cênicas. Ele brinca com as emoções da platéia e consegue provocar todos os matizes de sentimentos que se misturam com o choro e o riso, num espetáculo com tempero de fábula. A obra é para ser assistida por pais e filhos, e propõe uma reflexão sobre maneira como se desenvolvem os relacionamentos dentro de casa.
O espetáculo ''La Historia de La Oca'' já foi apresentado em vários países e idiomas, e em Londrina será falado em castelhano. A direção de Daniel Meilleur não mostra cenas de violência praticada pelos pais, e sim suas consequencias. Impedido de falar com alguém sobre seu drama, o garoto Maurice se agarra a um ganso chamado Teeka, na verdade a ave é um boneco manipulado em cena. Na estória Teeka se torna amigo fiel e confidente de Maurice, com quem ele estabelece um diálogo íntimo sobre o seu sofrimento.
Serviço:
- 'La Historia de La Oca''. Origem: Canadá. Direção: Daniel Meilleur. Autor: Michel Marc Bouchard. Elenco: Yves Dagenais, Normand Daoust e Patrícia Leeper. Música: Michel Robidoux. Figurino: Daniel Castongay.
Diretor Técnico: Don Franklin. Desenho de luz: David d'Anjou. Maquiagem:
Yvan Gaudin. Operador de Som: Michel Robidoux. Operador Luz: Michel Vézina.
Produtor: Pierre Bérubé. Tradução para o espanhol: Giberto Flores PatiÀo.
Dias: 12, 13 e 14, às 20h30, no Teatro Ouro Verde.


