Em seu terceiro ano em cartaz, o prestigiado musical sobre a vida do ''cantor das multidões'' abre oficialmente a 39 edição do Festival Internacional de Londrina (Filo) hoje, às 20h30, no Teatro Ouro Verde. E quem assistir a ''Orlando Silva, o Cantor das Multidões'' poderá esperar muita emoção na performance que mostra nuances cômicas e trágicas pouco conhecidas do intérprete que chegava a reunir 10 mil pessoas em uma época que a televisão ainda não existia e a palavra mídia era desconhecida. No elenco, Tuca Andrada, Susana Ribeiro, Marcelo Caridade e Marcelo Vianna.
Andrada revive a trajetória de Orlando Silva, considerado ainda hoje um dos maiores cantores brasileiros de todos os tempos. Sua vida fascinante, porém atribulada, comoveu o país tanto quanto as músicas que o imortalizaram. Em apenas sete anos, Orlando Silva conheceu as glórias de uma ascensão vertiginosa e dramas que foram do esquecimento do público a problemas com drogas e álcool.
Idealizador e co-produtor do projeto ao lado de Cláudia Marques, Andrada convidou para escrever o texto a dupla Antonio De Bonis e Fátima Valença, responsável pelo bem-sucedido musical 'Dolores', sobre a vida de Dolores Duran. De Bonis assina também a direção do espetáculo.
Andrada se apaixonou pela história do cantor em 2000, coincidentemente quando interpretava no teatro um outro ídolo popular. Para compor Garrincha na peça ''Crioula'', de Stella Miranda, o ator leu a biografia de Rui Castro sobre o craque do futebol e acabou descobrindo, ali, o seu futuro personagem.
Inovador e dono de emissão, afinação e timbre excepcionais, Orlando Silva parava as cidades com seus shows e, muitas vezes, era decretado feriado para que o povo pudesse vê-lo. Da mesma forma que brilhava nos estúdios de rádio, nos palcos e no cinema, sua vida foi recheada de revezes da perda precoce do pai ao acidente de bonde ainda na adolescência que lhe custou três dedos do pé e o fez mancar pelo resto da vida. Mais tarde, foram os vícios em morfina e álcool que temperaram sua biografia.
Para compor um personagem com tantas nuances e dono de uma voz tão singular, Andrada optou por não imitar Orlando Silva. Preferiu apenas reproduzir a dicção e a emissão da época. Ainda assim, o público deverá se surpreender com a transfiguração do ator, que começou a se preparar para o papel em 2001 e reproduz com verossimelhanças física e vocal alguns dos 22 clássicos incluídos no espetáculo. entre eles ''Lábios que beijei'', ''Rosa'' e ''Carinhoso''. ''A caracterização é importante, claro, pois trata-se de um personagem real recente. Entretanto, minha maior preocupação foi explorar a sua dimensão humana'', adiantou Andrada.
Andrada é o único que faz apenas dois papéis o do próprio Orlando e o do ator que o interpreta. Susana Ribeiro, Marcello Caridade e Marcelo Vianna respondem pelos atores do grupo de teatro e, na peça dentro da peça, pelos vários personagens reais que povoaram a biografia do cantor. De Bonis destaca, em especial, o tocante depoimento de Orlando ao final da peça, retirado de uma entrevista dada pelo cantor pouco antes de sua morte, em 1978.
O esmero da produção está visível nos cenários de Beli Araújo, nos figurinos de Ney Madeira, na iluminação de Adriana Ortiz, na direção de movimento de Márcia Rubin e também no acompanhamento da música ao vivo. Responsável pela direção musical do espetáculo, o maestro Marcelo Neves optou por utilizar um quinteto em cena (piano, baixo, bateria, violão e sopros): ''Orlando foi um inovador. Introduziu, por exemplo, as cordas na música popular. Minha intenção é que as músicas soem agora tão modernas quanto o foram ao serem gravadas por ele. Daí a minha opção em não manter os arranjos originais. Ao invés disso, preferi fazer uma releitura do trabalho que o genial Radamés Gnatalli realizou com Orlando''.

SERVIÇO
n ‘‘Orlando Silva, o cantor das multidões’’, hoje, às 20h30, no Teatro Ouro Verde. Produção: Cláudia Marques e Tuca Andrada. Baseado no livro homônimo de Jonas Vieira. Texto: Antonio De Bonis e Fátima Valença. Direção: Antonio De Bonis. Direção musical: Marcelo Neves. Cenários: Beli Araújo. Figurinos: Ney Madeira. Iluminação: Adriana Ortiz. Elenco: Tuca Andrada, Susana Ribeiro, Marcello Caridade e Marcelo Vianna. Duração: 1h50. Ingressos esgotados
Ingressos para o Filo: Posto de venda no primeiro piso do Royal Plaza Shopping. Das 11 às 22 horas. Ingressos: R$ 10,00 por espetáculo (com meia-entrada para aposentados, estudantes, classe artística, funcionários da UEL e portadores do cartão Petrobras). Mais informações pelo telefone: (43) 3322-2596.

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