Curitiba - A paranaense Claudete Pereira Jorge tinha 18 anos quando viu pela primeira vez um espetáculo de teatro. Natural de Ponta Grossa, ela tinha acabado de chegar em Curitiba e ainda não havia decidido que profissão ia seguir. ''Eu queria ser desde piloto de automóvel a diplomata'', brinca.
Tudo mudou quando viu o também paranaense Luthero de Almeida atuar. Foi quando Claudete decidiu ser atriz. De lá para cá já se passaram 35 anos, quase uma centena de peças no currículo, alguns prêmios e agora, o que Claudete acredita ser a ''condecoração máxima'' ou ''ainda melhor do que um prêmio''. Ela e o diretor (e músico) Octávio Camargo foram convidados para participar da 1 Bienal de Arte Contemporânea de Tessalônica, na Grécia.
Na Grécia, berço do teatro, eles apresentam o ''Canto 1'' da ''Ilíada de Homero'', projeto da dupla que já dura um ano. O monólogo já foi apresentado em Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo. A apresentação na Grécia está marcada para o próximo 21 de maio e Claudete e Octávio, ao lado do pesquisador Carlos Paulino, seguem para Grécia no próximo dia 19.
A passagem já está garantida, mas o trio ainda está tentando apoio para ''viver'' um mês por lá. ''É um desperdício irmos até lá para ficar tão pouco tempo. A princípio iríamos ficar uns dez dias, mas nossa intenção é estender a viagem para podermos pesquisar e apresentar o espetáculo em outros locais'', diz. Até agora, no entanto, o trio não conseguiu resposta nem da Fundação Cultural de Curitiba nem da Secretaria de Estado da Cultura, mas a atriz não desanima.
Para ela, o fato de ter sido convidada para mostrar o espetáculo na Grécia já valeu a pena. ''Imagine, vamos mostrar Homero para os gregos. É como rezar uma missa no Vaticano'', compara. A apresentação, na íntegra, será feita em português, mas a atriz não acredita que o idioma seja uma barreira. ''Estamos falando de um texto que as pessoas sabem o significado. Acho que a interpretação conta mais'', analisa.
A ''Ilíada'' de Homero é composta por 24 cantos que narram as histórias que aconteceram no último ano da Guerra de Tróia. Só o canto I é composto por 700 versos decassílabos declamados por Claudete numa apresentação de 45 minutos.
Para o espetáculo foi escolhida a tradução de Odorico Mendes, que foi considerado por Haroldo de Campos e outros críticos literários o pai da ''transcriação'' no Brasil. Esta é a segunda vez que a atriz aventura-se em um monólogo. Ela classifica a experiência como um desafio. ''Numa peça normal, você conta com os outros atores, tanto para o êxito quanto para o erro, no monólogo é só você e mais ninguém. Tudo fica na sua mão''.
Mas os desafios de Claudete não param por aí. Depois de ter sido escolhida ''a dedo'' pelo diretor Cacá Rosset para substituir a atriz Maria Alice Vergueiro (a estrela do youtube no vídeo ''Tapa na Pantera'') no espetáculo ''O Marido Vai à Caça'', ela foi novamente selecionada pelo diretor para integrar o elenco de ''A Megera Domada'', no segundo semestre. A estrela está subindo.

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