O vigor do teatro londrinense manifesta-se com frequência pela quantidade de espetáculos em cartaz. Não é de hoje que o apreciador de artes cênicas abre o jornal e se vê aturdido diante da concentração de peças programadas para estrear num único final de semana.
Na semana em que a cidade comemora o aniversário de 70 anos, o teatro mais uma vez ocupa os palcos. De hoje a segunda-feira, diversas montagens disputam a atenção do público. O destaque deste sábado é o espetáculo ''Estranha Confraria do Vermute, do Conhaque e dos Traçados'', que está em temporada no Espaço 2 Art Café (Rua Acre, 309).
A peça é uma criação de integrantes do grupo Teatro-Ato de Fala e de atores convidados. O elenco inclui Nádia Val, Gisele Silva, Paulo Salvetti, Erick Mago, Eduardo Oliveira e Thais D'Abronzo. Em formato de show performático, a montagem presta uma homenagem ao Cabaré Colonial, referência na vida noturna londrinense por um curto período entre os anos 40 e 50.
O espetáculo reúne textos de variadas fontes e canções de diversas épocas em arranjos para tango, marcha e bolero sob direção musical de Luciano Silva. ''Tentaremos mostrar como este cabaré estaria hoje, caso não tivesse fechado as portas. A platéia pode ficar à vontade, quem quiser pode fumar e o bar estará funcionando. Como se fosse um cabaré mesmo'' explica Nádia, coordenadora do projeto.
O espetáculo é amparado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic) e será apresentado hoje às 20 horas, amanhã às 20 horas e às 22h30, segunda-feira às 22h30, terça às 20 horas e às 22h30 e no domingo da próxima semana às 20 horas e às 22h30. A entrada custa R$ 5,00.
Outro destaque deste fim de semana é a peça ''A Noite e Eu'', montada pela Cia de Teatro Labirinto, com direção de Maria Fernanda Coelho. Em seu terceiro trabalho, o grupo aborda as relações humanas explorando ambientes e várias linguagens artísticas. O elenco é formado pelos atores José Maria Pereira Júnior, Luiz Renato Ferreira, Michelle de Almeida, Rosane Brandão e Vera Lúcia Pilchowski.
A concepção sonora é da musicista e radiomaker Janete El Haouli, os cenários e figurinos da artista plástica Letícia Márquez, e a preparação corporal e coreografias do bailarino e coreógrafo Cláudio de Souza. A trupe também recebeu orientação de Carlos Tangará e Juliana Tangará sobre técnicas circenses aéreas.
A peça utiliza imagens, frases, sons e cheiros sugeridos pelos contos de Lygia Fagundes Telles, Clarice Lispector, Caio Fernando Abreu, Rubem Fonseca e Hilda Hilst e pela poesia de Ana Cristina César. O espetáculo é apresentado num barracão de 900 metros quadrados, onde já funcionou uma malharia (Travessa Amazonas, 81, entre as Ruas Rio Grande do Sul e Amazonas, próxima ao Estádio VGD).
O espectador percorre 13 ambientes, envolvendo-se sensorialmente nas cenas e instalações. ''A Noite e Eu'', também amparada pelo Promic, será apresentada hoje e amanhã, às 21 horas, com ingressos a R$ 5,00 (estudantes e aposentados pagam meia-entrada). Também neste sábado, o ator Ed Sombrio mostra o espetáculo-solo ''Ela Não Via, Ela Nunca Via'', na Casa de Cultura da UEL (Rua Mato Grosso, 537, esquina com a Av. Celso Garcia Cid), com sessões às 20h30 e às 22h30.
Com direção de Rosa das Dores, a montagem conta a história de um artista que está se preparando na sala de sua casa para sua última apresentação nos ''palcos da vida''. A peça utiliza as linguagens da dança, música, artes plásticas e teatro de bonecos. Ed Sombrio escreveu o texto em parceria com Alessandra Pzarnick, colaborando ainda na confecção dos figurinos e cenários concebidos por Mauro Rodrigues.
''Ela Não via, Ela Nunca Via'' fica em cartaz até o dia 19 desse mês. O ingresso é um brinquedo novo ou usado, que será doado a crianças do Projeto Viva Vida, do distrito de Paiquerê. A programação da ''2 Londrina Mostra Circo'' também intensifica a agenda de espetáculos destacando hoje a apresentação do grupo Afrocirco, surgido a partir das oficinas realizadas pelo Grupo Cultural Afro Reggae no Complexo de Favelas Cantagalo-Pavão-Pavãozinho, região sul do Rio de Janeiro.
O trabalho que será apresentado em Londrina funde as técnicas do circo com as demais artes cênicas, pensando a arte como ferramenta importante para promover formas de inclusão social. O espetáculo ocorre a partir das 20 horas, na Lona da Escola de Circo de Londrina (Avenida Higienópolis, 1.849, região central). Já para quem aprecia histórias da literatura clássica mundial, não vai faltar oportunidade de vê-las em forma de teatro.
Também hoje, o Grupo Neuma Ensemble Universitário de Música Antiga, do Departamento de Música da Casa de Cultura da Universidade Estadual de Londrina (UEL), mostra a montagem ''Shajarat e o Rei Luís IX (A Sétima Cruzada)''. No repertório estão incluídas músicas dos séculos XII a XIV, performances cênicas e dança do ventre. Será apresentado às 20h30 no Cine Teatro Ouro Verde.
O teatro sacro também tem vez na programação de hoje. A partir de 11 horas, o grupo Mensageiros da Paz encena a ''Folia de Reis'' no Calçadão celebrando as profecias, o nascimento de Jesus e a adoração dos três reis magos.
A agenda prossegue no domingo com a estréia de três montagens de grupos ligados à Fábrica do Teatro do Oprimido. O grupo Caos & Acaso mostra a peça ''Essas Mulheres''. O grupo Fatho apresenta ''Cinco Democráticos segundos ou 'Joga Pedra na Darci''. Já o grupo Jovem Guarda sobe ao palco com ''O que fazer com esse Garoto?''. As peças serão apresentadas a partir de 16 horas no Centro Cultural Lupércio Luppi da Região Norte (Av. Saul Elkind, 790), com entrada franca.
Os três trabalhos discutem os direitos humanos utilizando a linguagem do ''Teatro-Forum'', a mais famosa das técnicas do Teatro do Oprimido, conceito desenvolvido por Augusto Boal. ''A proposta é abrir um espaço informal para debater os temas abordados no palco com o público. Não trabalhamos com teatro convencional. Os espetáculos não têm um final. Eles param nas cenas em que ocorrem situações de opressão. A platéia intervém entrando no papel do personagem. Chamamos o espectador de espect-ator. Ele assiste e ao mesmo tempo participa do espetáculo'' explica o diretor Roberto Sales.
O evento, produzido por Nádia Burk, inclui ainda a exibição do vídeo ''Direitos Humanos em Cena''. Também neste domingo, os participantes de uma oficina de Teatro promovida pela Rede da Cidadania (projeto da Secretaria Municipal de Cultura) na região leste da cidade apresentam a peça ''Somos Todos Severinos''.
A montagem foi gestada a partir do encontro de 20 adolescentes do Jardim Santa Fé com o livro ''Morte e Vida Severina'', do poeta João Cabral de Melo Neto. Ascolha do título foi proposital. A maioria dos adolescentes, suas famílias e seus vizinhos vieram de Pernambuco. ''Somos Todos Severinos'' será apresentada às 19h30 no Barracão das Irmãs (Rua da Limeira, s/n).
A maratona pelas artes cênicas prossegue na segunda-feira. Às 15h30, ocorre a apresentação da peça ''Tem Salsa'', que será encenada pelos alunos do Caic do Jardim Santiago no Centro Cultural da Região Norte. A montagem é o resultado do Projeto Cultural Arte de Dançar, patrocinado pelo Ministério da Cultura. Às 16h30, no mesmo local, haverá apresentação de alunos da oficina de circo do programa Rede da Cidadania.
A oficina atraiu 90 pessoas para as aulas de acrobacia, minitrampolim, trapézio, monociclos e malabares. Cerca de 22 alunos entre 8 e 16 anos estarão no Centro Cultural da região norte.

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