ARTES CÊNICAS - Quando o espectador vira protagonista
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quinta-feira, 15 de novembro de 2007
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
É mais uma chance para enterrar as dúvidas sobre o que é, afinal de contas, o tal Teatro do Oprimido. Começa hoje e segue até domingo a 4 Mostra do Teatro do Oprimido em Londrina, desta vez com abrangência nacional reunindo grupos de várias regiões do País.
A programação inclui 14 espetáculos, 8 oficinas e uma exposição de fotografias. As atividades serão realizadas no Teatro Zaqueu de Melo e nas vilas culturais Usina Cultural e Casa do Teatro do Oprimido. Organizado pela Fábrica do Teatro do Oprimido (FTO), o evento tem patrocínio do Promic (Programa Municipal de Incentivo a Cultura) e do Programa Rede Cidadania.
Uma das principais atrações é o espetáculo ''Coisas do Gênero'', montagem do Centro de Teatro do Oprimido (CTO) do Rio de Janeiro, principal núcleo multiplicador dessa vertente teatral no Brasil. Dirigida pelo próprio Boal, a peça excursionou recentemente pela Índia, França e Palestina. Outro destaque é o Grupo Luarte, da Sociedade Cultural Projeto Luar, da cidade de Duque de Caxias RJ.
É ele que abre a Mostra hoje, às 20 horas, com um espetáculo de dança que conta a história do Teatro do Oprimido e de seu criador Augusto Boal. O elenco reúne 16 jovens bailarinos, moradores das regiões periféricas de Duque de Caxias e da Baixada Fuminense. Também anunciado com ênfase, o grupo Revolução Teatral vem de Santo André (SP) trazendo um currículo de 10 anos de atuação no segmento.
Seu espetáculo ''Pedras, Sonhos e Nuvens'' utiliza apenas linguagens não-verbais - como o teatro-imagem e a dança - para falar da condição feminina na periferia. Participam ainda grupos de São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco e Paraná. Praticado em mais de 70 países, o Teatro do Oprimido foi concebido pelo dramaturgo brasileiro Augusto Boal para provocar a platéia arrancando-a da passividade habitual.
A idéia era lançar o espectador no centro da ação dramática convidando-o a atuar como protagonista que conduz ou altera o fim da história. ''Sua metodologia, aplicada através de várias técnicas, difundiu-se especialmente com a prática do 'Teatro-Fórum' no qual a intervenção do público é que define a solução da cena. A peça é paralisada no cume do conflito, convocando a participação do espectador que se torna participante da montagem'', explica Nádia Burk, diretora-geral do Festival.
Segundo ela, a escalação de grupos nacionais na 4 mostra não estava prevista na projeto original. ''Na verdade, nossa intenção inicial era fazer do evento um balanço dos resultados das atividades desenvolvidas ao longo do ano pelas pessoas envolvidas com o Teatro do Oprimido em Londrina. Mas quando abrimos as inscrições, com o objetivo de troca de experiências, alguns dos grupos mais representativos do País se inscreveram. A gente não esperava, foi uma surpresa'', diz ela.
A programação artística prossegue até domingo, com dois espetáculos por noite, oferecendo ainda uma exposição fotográfica e programação didática com oficinas e uma conferência. As inscrições para os cursos podem ser feitas na Vila Cultural Casa do Teatro do Oprimido (Rua Benjamim Constant, 1337, Centro) ou pelo mail [email protected]. A taxa de inscrição é de R$ 5,00, mas é gratuito para praticantes da metodologia do TO e para integrantes (Agentes Culturais e oficinandos) da Rede da Cidadania.
SERVIÇO:
- Mostra do Teatro do Oprimido
Programação completa do evento está disponível no blog www.ftolondrina.blogspot.com.


