ARTES CÊNICAS - Para arrebatar a platéia
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terça-feira, 26 de setembro de 2006
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Começa hoje a temporada do Circo Internacional da China em Curitiba. Esta é a quinta vez que a capital paranaense recebe a companhia, considerada um dos maiores grupos circenses do mundo. Eles voltam a cidade depois de uma lacuna de dois anos, trazendo o espetáculo ''Milenium''. A montagem que alia técnicas tradicionais a um roteiro de inspiração futurista leva ao palco 65 integrantes. São bailarinos, acrobatas e contorcionistas com idades entre 13 e 20 anos e que atravessaram um árduo caminho até conseguir integrar a companhia.
Os acrobatas começam o treinamento aos cinco anos de idade e são escolhidos em audições em todo o país. Ginastas, bailarinos e esportistas são convidados a estudar, treinar e morar na escola mantida pelo circo chinês. Eles podem sair apenas na época do Natal, quando visitam suas famílias. Para que o acrobata saia da escola e passe a integrar a companhia demora, em média, 10 anos.
No espetáculo ''Milenium'' toda essa dedicação está presente, tanto nos movimentos precisos dos integrantes quanto na grandiosa produção. São mais de 12 toneladas de equipamento para o cenário e 14 cenas de tirar o fôlego do espectador. A seguir, a entrevista que o diretor da companhia, Wu Jung, concedeu, por e-mail, à Folha2.
Quais novidades o público vai encontrar nesse novo espetáculo?
As pessoas vão ver um tradicional espetáculo acrobático chinês com uma excelente performance no palco.
São 14 cenas, cite uma que mais tem surpreendido a platéia desde que o espetáculo estreou.
Todas as 14 performances são bastante diferentes, esse espetáculo oferece vários formas de apresentação e todas elas têm sua particularidade. O público gosta especialmente da performance Bambu, uma apresentação acrobática aérea. As pessoas gostam também das performances de chão, como as realizadas com anéis.
Essa é a maior montagem já realizada pela companhia, o grupo enfrenta alguma dificuldade para viajar com tantos equipamentos e encontrar espaço adequado para as apresentaçoes durante a turnê?
Bem, nós tivemos que armar um grande espetáculo, com uma estrutura que deve ser extremamente bem ajustada. Às vezes, em lugares diferentes, temos que armar nosso espetáculos e as estacas com espaço e altura não muito bons, mas nós fazemos o melhor que podemos. O mais importante é a segurança, então tomamos bastante cuidado com isso porque nós cuidamos bem dos nossos artistas.
Em média, quanto tempo leva para a montagem dos espetáculos da companhia e qual a rotina de ensaio dos artistas?
A montagem do palco leva pelo menos 48 horas e os artistas ensaiam diariamente no teatro ou em algum lugar diferente. Eles têm que treinar intensamente e se alimentar bem, pois isso é a chave para um bom acrobata.
Como a companhia faz para se manter atual e contemporânea?
Para mantermos nossa imagem, selecionamos as pessoas certas e também ensinamos de uma forma bem particular, para que possamos manter a cultura chinesa. Isso significa que tomamos cuidados com os treinamentos, os testes, os professores, a educação, etc.
A trupe já se apresentou no Brasil outras vezes e esteve em Curitiba há dois anos. O público brasileiro é receptivo? E quais as cidades e teatro que vocês destacariam no País?
Estivemos no Brasil antes e gostamos muito do público. Acho que Argentina e Brasil têm públicos parecidos, são agitados e calorosos. Isso é legal porque é bom ouvir aplausos, a platéia é boa e isso faz com tudo fique ainda melhor. Acho que os públicos que nos receberam melhor foram o de Lima, no Peru, e o de Campinas.
Serviço:
- Circo Internacional da China, no Grande Auditório do Teatro Guaíra (Praça Santos Andrade). De hoje a sexta-feira às 21 horas. Sábado às 18 e às 21h30 e domingo às 16 e 20 horas. Ingressos variam de R$ 30,00 a R$ 100,00. Informações pelo telefone (41) 3304-7982.


