Ela tem jeitinho de menina e um sorriso que ilumina todo o palco. Mas não se deixe enganar delicadeza, ela não é somente inocência em um rostinho bonito. Rafaella Marques, apesar do pouco tempo de carreira, é uma atriz capaz de se transformar completamente para fazer de seus personagens elementos fundamentais para que haja harmonia nas montagens em que atua, especialmente nas da companhia de teatro Vigor Mortis, de Curitiba.
''Quando o Paulo (Biscaia Filho, diretor de teatro da companhia Vigor Mortis) me viu em uma peça na faculdade que eu fazia, ele olhou para mim, uma menina toda delicadinha, bonitinha, fazendo um monstro e se surpreendeu'', conta o primeiro contato com o diretor com quem trabalha há quatro anos.
Rafaella, 25 anos, nasceu em Umuarama e aos cinco anos mudou com a família para Londrina, onde viveu até 2000. Nessa época, a então aspirante a atriz decidiu morar na Capital para estudar Artes Cênicas. ''Eu passei no vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e da Faculdade de Artes do Paraná (FAP). Pensava em sair um pouco de Londrina e daí minha irmã já morava aqui e isso facilitou minha vinda'', explica.
Hoje, com mais de 500 apresentações no currículo, Rafaella, atuou em algumas peças na faculdade e dois espetáculos da Companhia Silenciosa. Mas foi com a Vigor Mortis que a atriz engrenou: esteve em ''Morgue Story'' (2004), ''Snuff Games'' (2004), ''Leitura Dramática de Hitchcok Blonde'' (2005), ''Dimensão Desconhecida'' (2006), ''Graphic'' (2006), ''Pincéis e Facas'' (2006), ''Garotas Vampiros Nunca Bebem Sangue'' (2007) e ''Santa e Domênica'' (2007).
''O curso de Artes Cênicas da UEL é muito conceituado, mas pra viver de teatro acho que o profissional precisa sair de Londrina. O tanto que você trabalha o ano inteiro em Curitiba, não é como em Londrina. O Festival Internacional de Londrina (FILO) é maravilhoso mas no resto do ano fica difícil. Até mesmo as grandes companhias de teatro de Londrina estão fora de Londrina. A Armazém, o próprio Mário Bortolotto, que está bombando em São Paulo'', compara Rafaella.
As peças da Vigor Mortis costumam ter várias referências à cultura pop, desde músicas, diretores (como Quentin Tarantino e Kevin Smith) até a linguagem dos quadrinhos. Essa proposta estética alternativa e a diferença de narrativa em relação a outras montagens costumam atrair muita gente que não gosta de teatro. E também é o que seduz Rafaella a manter a parceria com o diretor Paulo Biscaia Filho.
''Eu e o Paulo temos muitas coisas em comum, o gosto musical dele é igual ao meu, por exemplo. Gosto de rock e ele também, filmes, tudo a gente pesquisa juntos. Tenho muito dessa identificação com ele. Os quadrinhos mesmo, que eu não lia, comecei a ler e a pesquisar, conversar mais com ele sobre isso. Pode-se dizer que a gente bebe da mesma água'', confirma.
Atualmente, Rafaella tem feito a ponte aérea Curitiba-São Paulo durante a semana, já que atua pela peça Graphic, atualmente em cartaz na capital paulista, de quinta a domingo. ''A gente fez Graphic no Rio também e teve boas respostas do público. Mas em São Paulo foi melhor, acho que Graphic tem tudo a ver com aquele clima de São Paulo. Tivemos por lá um público que não tivemos em Curitiba o ano todo'', destaca.
O sucesso em São Paulo, porém, ainda não conseguiu convencer Rafaella a se mudar de Curitiba. ''Tenho vontade de mudar para São Paulo, porque o mercado de trabalho parece que movimenta mais do que aqui. As pessoas vão ao teatro, têm a cultura de ir ao teatro. Mas ainda não tenho coragem de deixar o que conquistei aqui até agora para ser engolida em outro lugar'', revela.
Uma das preocupações da atriz é de mudar um pouco o volume de trabalho, fazer novas parcerias, para evitar os vícios de atuação. ''É uma preocupação que tenho, trabalhar com outras pessoas também, o próprio Paulo me disse isso. O que tento fazer é uma peça atrás da outra, um exercício para não me repetir. A gente sempre acaba impondo um pouco da identidade no personagem, mas tento me reciclar fazendo coisas novas, diferentes, e trabalhando com outras pessoas também.''
Além de Graphic, que fica em cartaz até o dia 10 de fevereiro em São Paulo, Rafaella estréia no dia 28 de março a montagem Hitchcok Blonde, na mostra contemporânea do Festival de Teatro de Curitiba, no teatro Novelas Curitibanas. Em seguida, a atriz participa da pré-produção e filmagens de ''Morgue Story - O Filme'', que começa a ser rodado em maio e deve ser lançado até o final do ano.
Com o calendário cheio, Rafaella, faz uma autocrítica do trabalho feito até agora. ''Recebo muitas críticas do meu trabalho em Graphic, tenho muito a crescer para ser reconhecida. Sou muito dedicada nas coisas que faço, acho que sou carismática e isso para um ator ajuda muito, é por isso que gosto de trabalhar com teatro. Preciso aprimorar em tantas coisas, não tenho algo específico para apontar, mas acho que a maturidade que ainda tenho para adquirir é que vai me tornar uma grande artista com um bom trabalho'', reflete. Para saber mais sobre as peças e a atriz basta acessar www.vigormortis.com.br.

mockup