ARTES CÊNICAS - Dramaturgia e o poder da PALAVRA
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
O espetáculo teatral ''Os Cisnes da Rainha'' volta ao palco em Londrina, dois anos depois de estrear em minitemporada na Casa de Cultura. A montagem, que tem texto e direção de Fernando Stratico, retorna ao mesmo espaço amanhã para inaugurar o ''I Colóquio de Dramaturgia'', promovido pela Casa de Cultura em parceria com o Departamento de Música e Teatro da Universidade Estadual de Londrina (UEL), com apoio do Sesc e patrocínio da Caixa Econômica Federal.
O Colóquio, que traz o sub-título ''A Dramaturgia Contemporânea e seus Caminhos'', será realizado até sexta-feira com palestras de Stratico, Heloísa Helena Bauab, Thais D'Abronzo, Ceres Vittori, Aguinaldo Moreira de Souza, Camilo Scandolara e Mauro Roberto Rodrigues - todos docentes do curso de Artes Cênicas da UEL. A peça abre as atividades amanhã, às 20 horas. Nos demais dias, as atividades concentram-se no período da tarde.
Ambientada num parque europeu, a montagem descreve o encontro entre um homem e uma jovem de universos culturais distintos. ''A mulher deseja se matar num lago e o homem tenta salvá-la com palavras. A intenção é discutir a importância do poder da palavra, de seu alcance para destruir ou para construir. Também há o tema do choque das diferenças, que podem ser superadas num sentido positivo'', explica o autor e diretor, que atua na montagem ao lado da atriz Daniela Pagnoncelli.
Após o espetáculo, o próprio Stratico abre o ciclo de palestras abordando o tema ''A Performance Autobiográfica e sua Dramaturgia''. ''Vou falar sobre os processos de dramaturgia autobiográfica desencadeados a partir da década de 80, especialmente por autores americanos e ingleses. Trata-se de uma vertente teatral que coloca histórias pessoais em cena com enfoque crítico social ou político'', diz.
Segundo Heloísa, coordenadora do Colóquio, o objetivo do evento é trazer à luz a diversidade da dramaturgia contemporânea: ''A dramaturgia é a base da criação teatral'', salienta. ''É a escrita da peça, o elemento que organiza a expressão cênica. Até boa parte do século 20, ela era considerada sinônimo de texto, aquilo que reunia enredo, conflito, diálogos, personagens e ação no tempo e no espaço ficcionais. Hoje em dia, esse paradigma não atende mais à multiplicidade de abordagens. O campo se pulverizou. Já podemos falar em dramaturgia do corpo e da imagem, ainda que a criação teatral calcada exclusivamente no texto teatral continue viva''.
De acordo com Heloísa, a expansão do conceito foi acompanhada de mudanças na prática teatral. ''Não temos mais o dramaturgo que faz trabalho de gabinente, que cria solitariamente seu texto e o apresenta ao diretor. Hoje em dia, ele acompanha os ensaios participando como um parceiro da elaboração do texto ao lado do diretor e do ator'', argumenta. Em sua palestra, na quinta-feira, ela abordará a dramaturgia no rádio analisando a linguagem artística nesse meio de comunicação.


