ARTES CÊNICAS - Do banal ao extraordinário
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de março de 2008
Claudio Yuge<br> Equipe da Folha 
Usar da banalidade do cotidiano de personagens verossímeis para transformar palavras em contos extraordinários sempre sob bom humor é tarefa para poucos, como mostrou o jornalista catarinense radicado em Curitiba, Manoel Carlos Karam, que morreu em dezembro do ano passado. Sua obra é lembrada hoje, na estréia da peça ''Bolacha Maria - Um Punhado de Neve Que Restou da Tempestade'', no Teatro José Maria Santos, em Curitiba.
Manoel Carlos Karam nasceu em 1947, no Vale do Itajaí, em Santa Catarina, e morreu vítima de um câncer no pulmão, no dia 1º de dezembro do ano passado, em Curitiba. O escritor, dramaturgo e jornalista escreveu e dirigiu duas dezenas de peças de teatro na década de 70 e a partir dos anos 80 passou a dedicar-se aos livros. Ainda este ano deve sair seu primeiro trabalho póstumo, ''Jornal da Guerra contra os Taedos''.
A peça ''Bolacha Maria'' propõe um recorte de vários textos de Karam, tomando como base situações cotidianas em que os personagens vão narrando histórias aparentemente banais. Os contos vão se unindo em um mosaico e transformando o ordinário em extraordinário, passando pelo absurdo e pelo lírico fantástico. ''Os textos do Karam oferecem elementos populares e eruditos numa literatura múltipla em gêneros, não linear e contemporânea'', elogia a diretora do espetáculo, Nadja Naira.
''Apesar de temas universais muitas vezes o Karam aborda personagens, comportamentos e temas regionais. Adaptar esses textos para o palco, dar corpo e voz aos seus narradores e personagens é perceber que tudo se encaixa num jogo-brincadeira que nunca acaba e no qual você pode entrar quando quiser'', complementa a diretora.
A companhia responsável pela montagem, Armadilha, vem obtendo bons resultados nos últimos anos, com trabalhos bem recebidos por crítica e público, como ''Café Andaluz'' (2005) e ''Os Leões'' (2006). ''Bolacha Maria'' fica em cartaz de hoje até domingo e em seguida compõe o leque de opções do Fringe, a mostra alternativa do Festival de Curitiba, a partir do dia 22.
SERVIÇO
- ''Bolacha Maria - Um Punhado de Neve que Restou da Tempestade''
Quando - Hoje, amanhã e sábado, às 21h, e no domingo, às 19h
Onde - Teatro José Maria Santos, Rua Treze de Maio, 655, em Curitiba
Quanto - R$ 10 e R$ 5 (meia)
Mais informações - Tel. (41) 3322-7150


