ARTE TIPO EXPORTAÇÃO
Vídeo produzido por um paranaense será mostrado em festivais da Holanda e do Canadá
Marcos AmendNo vídeo Brasil Maravilha, a personagem Alice, criada por Lewis Carroll, vive situações absurdas no Brasil de hoje
De Curitiba
Neste início de fevereiro o vídeo digital Brasil Maravilha, do paranaense Aleksei Wrobel Abib, estará sendo exibido em dois importantes eventos internacionais: o Festival Internacional de Cinema de Roterdã, na Holanda, e no Victoria Internacional Film Festival, do Canadá.
Prossegue assim sua carreira de sucesso, iniciada em julho de 99 no 22º Festival Guarnicê de Cine Vídeo do Maranhão. Imediatamente após o prêmio no Maranhão, foi escolhido como único representante da América Latina na mostra mundial de arte digital D. arte 99, em Sydney, Austrália. Foi um dos 15 trabalhos selecionados de todo o mundo.
A história se repete. Brasil Maravilha está em Roterdã, num importante festival de cinema, ao lado de outros 15 trabalhos brasileiros. É o único paranaense. Antes dele, somente a dupla Marina Willer e Fernando Kinas havia conseguido esse feito com Ariel, Luzes e Tatit.
Em suas andanças o trabalho de Aleksei Abib foi visto nos festivais de Portobello, em Londres, Festival Chileno Internacional del Cortometraje, em Santiago do Chile, Festival Internacional de Curtas de Berlim. Representou o Brasil no Euro Underground 99, com edições nas cidades de Cracóvia, Polônia, Chicago e terminará esta peregrinação em Istambul, na Turquia.
Ironicamente o vídeo é inédito nos cinemas de Curitiba. Poderia ter estreado nacionalmente no Festival de Cinema e Vídeo, mas não foi aceito pela organização. Chateado, o diretor mandou para o conceituado Guarnicê, venceu e tomou o rumo internacional.
A platéia curitibana teve oportunidade de ver Brasil Maravilha no final do ano no Teatro do Paiol, durante um encontro de espetáculos performáticos Em Volta da Mesa promovido pelo violonista Octavio Camargo.
Misturando fotografia e vídeo, numa linguagem nonsense, o diretor conta a história de Alice, de Lewis Carroll, vivendo seus absurdos nos atuais dias brasileiros. Resultado: de algum modo ela se insere no contexto nacional, pois aqui o absurdo é uma das poucas leis que funciona. Não sendo assim, não se vive.
O elenco tem somente uma única atriz, Maíra Weber, que defendeu o principal papel de Alice Através do Espelho, montagem londrinense que fez grande sucesso em Curitiba, em 1998, e no Rio de Janeiro, no ano passado. Apaixonado pelo espetáculo, Abib escreveu e dirigiu seu vídeo de linguagem experimental. O impacto da peça foi impressionante. Quis prolongar o efeito por mais tempo, revela.





