Arte surrealista na Cinemateca
Simone Mattos
Uma comédia surreal, que usa o capitalismo selvagem e o mundo pós-União Soviética como fundo, está em cartaz na Cinemateca de Curitiba. O Amigo do Defunto, uma produção franco-ucraniana dirigida por Viarcheslav Krichtofovitch em 1997, aborda com uma visão cômica, que beira o humor negro, as mudanças recentes que aconteceram na sociedade soviética.
O protagonista da história, interpretado pelo ator Alexandre Lazarev, é o personagem Anatoli, um intelectual desempregado. Abandonado pela mulher e incapaz de se adaptar à nova realidade que impõe o capitalismo como forma de sobrevivência, Anatoli resolve contratar um matador profissional e dar fim à sua vida.
A ironia começa quando ele se apaixona por uma prostituta e desiste de morrer, mas é tarde demais para cancelar o plano. O assassino já está com a sua foto, pronto para matá-lo. A situação, quase surreal, cria confusões divertidas, que resultam na morte do guarda-costas contratado pelo intelectual para protegê-lo. A partir daí, tem início uma nova trama entre Anatoli e a família do segurança assassinado.
No filme, o diretor enfatiza os desencantos da sociedade russa, que trocou os valores humanitários pelas relações de negócio. Dentro de um regime de ausência de liberdade, esses povos costumavam ajudar uns aos outros. O calor humano era um elemento sempre presente. Com o surgimento da liberdade, como aconteceu com a União Soviética, apareceu a frieza e a solidão, diz o diretor.
Krichtofovitch nasceu em 1947, na cidade de Kiev, onde concluiu o curso de Direção no Instituto de Arte local. Desde o início da década de 70, trabalha nos estúdios Dovjenko. Em 1986, dirigiu seu primeiro longa-metragem no cinema, Femme Seule Veult Faire Connaissance, premiado no Festival de Montreal.
O Amigo do Defunto estará em cartaz até o dia 1º de julho, na Cinemateca de Curitiba, com sessões às 18h e 20h30.





