ARTE ROUBADA
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 09 de agosto de 2001
Roland de Courson<BR>Roland de Courson 
A coleção de obras de arte da marquesa Esther Koplowitz, uma das mais importantes da Espanha, foi seriamente desfalcada por um roubo extraordinário de 20 peças de grande valor, 14 quadros e seis esculturas. Entre eles estão dois Goyas (A queda do burro e O Balanço), um Brueghel (As tentações de Santo Antônio), um Pisarro (Paisagem de Eragny) e um Juan Gris (Violão sobre uma cadeira), um Sorolla, dois Fujita e um Anglada Camarasa.
A marquesa Koplowitz, acionista majoritária do grupo de construção espanhol FCC e conselheira de administração do grupo francês Vivendi, estava de férias fora da Espanha quando o roubo aconteceu.
Somente os quadros de Goya estão avaliados em mais de 12 milhões de euros (10,6 milhões de dólares), segundo especialistas citados pela imprensa. Entretanto, a Polícia terá que esperar a proprietária voltar de férias para fazer um balanço mais preciso do roubo, pois ignora quem são os autores das esculturas e de dois painéis levados.
A operação foi bem organizada e realizada com precisão milimétrica, o que indica que os ladrões tinham informações privilegiadas. De acordo com as primeiras análises da investigação, eles eram pelo menos quatro e chegaram às quatro da manhã. O grupo atacou o segurança, amarrando-o e tapando seus olhos e ouvidos. No momento, o funcionário está no hospital e não é capaz de dar maiores detalhes sobre os agressores.
Depois de ter forçado a porta do apartamento, os ladrões se dirigiram diretamente à pequena casa onde a coleção de arte estava para separá-las das distribuídas no restante da casa.
As obras parecem ter sido levadas num furgão, sem que nenhum vizinho tenha visto ou ouvido nada. A principal hipótese da polícia é de um golpe encomendado por algum colecionador, já que alguns painéis, principalmente os de Goya, Brueghel e Pisarro, são praticamente impossíveis de vender no mercado, devido a sua importância artística excepcional.
Ninguém realiza um roubo assim sem ter antes um comprador, afirmou um detetive que cuida caso ao jornal El País.
Apaixonada por arte e literatura, Esther Koplowitz, que completa 52 anos na sexta-feira, começou a adquirir quadros de grande valor há algum tempo, graças a sua imensa fortuna avaliada em 1,2 bilhões de euros (1 bilhão de euros), uma das mais importantes da Europa.
Ela acumulou esta riqueza graças ao grupo FCC, fundado por seu pai Ernesto Koplowitz em 1952 e atualmente líder do setor de construção e de obras públicas na Espanha.
Quando Ernesto Koplowitz morreu numa queda do cavalo em 1962, sua empresa foi dividida entre as duas filhas, Alicia e Esther. Em 1998, a segunda comprou a parte da irmã e depois vendeu 28% do capital da FCC ao grupo francês Vivendi.
Segundo sua família, ela prometeu uma recompensa a quem fornecer qualquer informação que leve à recuperação dos quadros roubados.


