Dizem que o número sete evoca o início ou o fim de um ciclo. No caso do antigo Cine Vila Rica, que fica na galeria do mesmo nome, no Centro de Londrina, a referência é correta. Fechado em 2001, o espaço voltou à vida nas últimas duas semanas, durante a 40 edição do Festival Internacional de Teatro. Chamado de ''Teatro Filo'', o local voltou a servir à arte.
Com o fim do cinema, apenas um curso preparatório para vestibulares funcionou lá, mas há mais de três anos o lugar estava fechado. Nesse tempo, uma igreja quis se instalar no local e um produtor cultural pensou em abrir ali uma escola de teatro. Mas nos últimos meses, a proposta de transformar o espaço em mais um dos palcos do Filo agradou ao proprietário do imóvel, que o alugou por dois meses. ''Londrina precisa de espaços para a apresentação de peças e o local tem características de teatro, além de oferecer uma ótima acústica'', explicou o diretor-geral do Festival, Luiz Bertipaglia. Mesmo com a instalação de um palco, ainda sobraram 320 lugares.
Para transformar o antigo cinema em teatro foi necessário fazer reformas na estrutura do prédio, inaugurado na década de 1960 e considerado histórico. ''Em julho termina nosso contrato, mas temos muito interesse em mantê-lo sob nossa guarda, por meio da Associação dos Amigos da Educação e Cultura Norte do Paraná (AMEN)'', afirmou Bertipaglia. ''Depois de uma série de reformas podemos inclusive reativar o Cine Londrina, com uma programação alternativa, como ocorre no Cine Com-Tour.''
Jorge Kogure Junior, mais conhecido no meio teatral como ''Juba'', administra o espaço durante o festival e recebeu a visita de vários antigos frequentadores do cinema. ''Veio inclusive uma mãe com seus filhos, que ficou sentada na platéia contando histórias dos filmes que viu aqui'', afirmou Juba. Também teve gente que lembrou de outras salas de cinema desativadas, como o Cine Augustus, que funcionou em outra galeria do Centro, onde hoje existe um camelódromo. ''Dá pra perceber que a comunidade quer o uso inteligente desse espaço''.
Claudete Fátima Vicente é funcionária da Lanchonete Vila Rica, instalada na galeria desde a inauguração. Ela lembra do tempo em que o cinema atraía uma pequena multidão. ''Muita gente passa por aqui e fala que tem saudades.'' Ela própria uma antiga frequentadora, Claudete recorda em detalhes a exibição de sucessos como ''Ghost - do outro lado da vida''. Durante semanas as pessoas faziam fila para ver o filme. Para a garçonete, a reabertura do local parece uma volta aos bons e velhos tempos. ''É bom ver que o movimento aumentou, mesmo durante o dia, em que não são apresentadas peças. Dá pra perceber que as pessoas estão passando mais pela galeria.''
A mesma coisa foi constatada pelas vendedoras Janaína Alves de Melo e Sônia Nascimento, de uma perfumaria instalada no local há seis anos. As duas comemoram a notícia da possível transformação do espaço em ponto cultural. ''Tomara que o teatro permaneça ou volte a ser cinema, porque isso vai ajuda a valorizar o espaço'', afirmou Janaína. Se depender do proprietário, de acordo com a imobiliária que cuida da transação comercial, isso pode acontecer.

mockup