ARTE RECONHECIDA - Títulos terroristas
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sábado, 28 de junho de 2014
Marcos Roman<br>Reportagem Local 
A quase 30 anos do fim da ditadura militar, três líderes que lutaram contra o regime repressor iniciado há cinco décadas serviram de inspiração para a criação de uma família de três fontes tipográficas intitulada "Terrorista". Coautor da iniciativa que leva os nomes de Dilma, Lamarca e Marighella, o londrinense Bernardo Faria comemora o resultado positivo da iniciativa.
"Lançamos as fontes em fevereiro e conseguimos vender o software pelo mundo afora, incluindo países diversos como Estados Unidos, México, Suíça e até a Coreia do Sul, entre outros", ressalta Faria, que é designer especializado em logotipos e projetos editoriais. Ele também ministra a disciplina de tipografia no curso de Design Gráfico da Universidade Norte do Paraná (Unopar) e em workshops sobre o tema.
O londrinense enfatiza que as fontes da família "Terrorista" têm características distintas, mas apresentam uma similaridade. "Todas trazem um parentesco com as fontes de título utilizadas na impressão de jornais antigos, mas assumem ser fontes contemporâneas. São impactantes, chamando a atenção do leitor para o texto", detalha.
REFERÊNCIAS
Faria destaca que a fonte "Marighella" refere-se ao poeta terrorista líder da Ação Libertadora Nacional que é representado por uma letra de corpos pequenos a exemplo das utilizadas no "Mini-Manual do Guerrilheiro Urbano", editado pelo próprio lutador anárquico. "Lamarca, o militar terrorista e comandante da Vanguarda Popular Revolucionária, tem fonte de combate, ideal para propagar sua mensagem revolucionária em qualquer mídia. Perfeita para pintar num caminhão, como o que seria usado por ele para assaltar o 4º Regimento do Exército. Já Dilma ganhou letras com corpos gigantescos para títulos que falem em alto e bom som, como os discursos da primeira mandatária do Brasil que esteve à frente do Comando de Libertação Nacional", detalha.
Faria conta que as fontes tipográficas foram criadas por ele em conjunto com o artista plástico e type designer Tony Marco, de São Paulo. "Desenvolvemos o projeto juntos e fizemos uma parceria com a Just in Type, empresa responsável pela distribuição mundial do software, que está sendo comercializado pela mundial de fontes digitais Myfontes.com", comenta.
DEMANDA
O designer explica que existe uma grande demanda por fontes tipográficas no mercado de design. "Cada projeto gráfico exige um tipo específico de fonte que seja ideal para expressar um conceito, uma ideia. O mesmo acontece com a criação de logotipos. Atualmente está em alta a tipografia institucional para atender grandes empresas interessadas em adquirir fontes exclusivas", esclarece.
Segundo ele, com os recursos tecnológicos atuais, qualquer pessoa pode criar suas próprias fontes tipográficas. "Com os softwares disponíveis no mercado muita gente cria fontes, mas poucos conseguem comercializá-las pois além da questão estética as fontes devem ser funcionais e fazer combinações perfeitas entre diferentes caracteres. Elas precisam ter ritmo e não podem perder a cadência", afirma ao destacar que o preço de uma fonte tipográfica pode variar entre 15 e 120 dólares.
FONTES
Faria explica que enquanto as fontes tipográficas usadas em logotipos, títulos de matérias de revistas e jornais e campanhas publicitárias e institucionais precisam ter identidade definida que chame a atenção do leitor, as fontes usadas para textos segue a lógica inversa. "Nos textos as fontes devem servir apenas de ligação entre o leitor e o conteúdo. O ideal é que nem se perceba que tipo de fonte está sendo utilizada", salienta.
Questionado se já não existem fontes tipográficas suficientes no mercado, Faria argumenta que a produção nunca será considerada excessiva. "A tipografia acompanha a evolução tecnológica, se adequando das letras de metal das antigas máquinas às digitais dos computadores e mais recentemente aos caracteres usados em celulares. As fontes tipográficas refletem as características de cada época e sempre estará se renovando".
Enquanto comemora o sucesso das fontes tipográficas da família "Terrorista", Faria já trabalha em dois novos projetos. "Estou me preparando para criar uma superfamília "Terrorista" ampliando para 14 ou 16 o número de fontes deste grupo e também pretendo lançar até o fim do ano uma fonte que reproduz a escrita humana com formas pouco simétricas", revela o designer londrinense.


