No céu não tem anjos, mas os nove artistas do espetáculo ''Mobile Homme'', da companhia francesa Transe Express, parecem que têm. O espetáculo encerra a 39º edição do Festival Internacional de Londrina hoje, às 19 horas, em frente ao Teatro Ouro Verde.
Eles não têm asas, mas aprenderam a fazer uma arte celeste, se pendurando numa altura entre 25 e 30 metros num espetáculo de música, teatro e circo.
Observando com olhos curiosos, o que convém à grandiosidade e poesia da encenação, a gente enxerga a trajetória de uma companhia que nasceu do sonho do artista plástico, Gilles Rhode, que queria estar sempre com as suas obras - o que não acontece, geralmente, sendo que as criações ganham vida, despedindo-se de seus autores, não precisando mais deles para continuar existindo.
Ao compartilhar o desejo com a esposa, Brigitte Burdin, os dois acabaram criando o grupo, em 1975, conquistando as ruas com os seus espetáculos.
Transe Express estréia a turnê brasileira no FILO, apresentando-se ainda em Paranavaí, Maringá, Curitiba, Paranaguá, São Paulo e São José do Rio Preto. Um roteiro em que, além de ''Mobile Homme'', o grupo apresentará ''Les Tambours''.
Ao contrário do espetáculo aéreo ''Mobile Homme'', ''Les Tambours'' fixa os pés no chão com o barulho dos tambores e, em São José do Rio Preto, deverá contar com a participação de 50 ritmistas de uma escola de samba.
''Mobile Homme'' estreou em 1990, sendo uma das mais antigas peças da companhia que ainda continua no repertório de seis espetáculos.
Com apoio do Consulado Geral da França em São Paulo, Rhône Alpes e Cultures France, o espetáculo lúdico traz o céu para perto do público, onde o elenco se pendura num guindaste de 40 metros de altura, pintando sombras nas paredes dos edifícios próximos.
A performance é arriscada, mas obedece aos limites de segurança e, generosamente, oferece a oportunidade para que todos acompanhem os movimentos dos artistas, já que a escultura viva estará sobre a cabeça do grupo de espectadores.
Definido por Rhode como um espetáculo de emoções, ele lembra que a companhia pretende apresentar ao público brasileiro, em 2009, ano da França no Brasil, um espetáculo ainda mais grandioso, ''Les Rois Faignants''.

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