Um dos princípios básicos da arte cênica é a reflexão sobre a sociedade e os homens que, imbuídos de uma mistura entre paixão e razão, são capazes de construir obras de arte, ao mesmo tempo em que massacram civilizações inteiras. O teatro, assim, é mais do que um simples ato de contar histórias; ele expõe em suas entrelinhas o próprio paradoxo que é o leitmoviv da humanidade.
  Assim, entre os estreitos corredores de madeira na sede da Escola Municipal de Teatro (EMT) de Londrina – que completa 15 anos de existência neste mês – são construídas mais do que montagens de peças ou treinamento de atores. Aqueles corredores guardam fortes emoções, diversas maneiras de enxergar a realidade e histórias que capturam a própria essência das tragédias atemporais: o arco dramático da existência humana, que transfigura-se refletido nas experiências pessoais de cada um dos atores e colaboradores da EMT.
  ‘‘O elenco é a nossa característica mais importante. Ele é muito heterogêneo: dentro de uma mesma sala você atende desde pessoas que precisam de um auxílio para o passe de ônibus até aquelas que vêm de motorista para a aula. Isso, que no começo foi visto como uma dificuldade, depois passou a ser um material muito rico para trabalhar com os alunos. A nossa principal riqueza vem dessa diversidade’’, observa Silvio Ribeiro, coordenador da escola.
  Silvio lembra que a criação da EMT sempre esteve nos planos da Funcart, mas existiam dificuldades técnicas e financeiras. ‘‘Desde o princípio nós tínhamos objetivos bem claros: o de trabalhar com a formação e a produção de teatro. O problema é que existiam sérias dificuldades, até mesmo de know how, para levar este trabalho adiante’’ explica o diretor, que está envolvido com a EMT desde o começo, e há 11 anos assumiu o posto de coordenador. ‘‘Hoje nós já temos mais facilidade, tanto para estabelecer parcerias com empresas e outras instituições, quanto na formação dos atores. Podemos dizer que a escola agora possui um pensamento metodológico mais claro’’, completa.
  Além de ser uma escola de produção e formação teatral, a EMT destaca-se por também possuir uma forte proposta social, que busca usar o teatro como uma ponte para a socialização do aluno. ‘‘O curso não possui nenhuma intenção terapêutica, tem apenas o objetivo de fazer teatro. Mas a própria produção teatral agrega várias coisas, e leva as pessoas a terem uma forma diferente de entrar em contato com seu próprio pensamento e criatividade’’, avalia.
Programação festiva
  A festa de debutante da EMT vai envolver a realização de cursos, projetos sociais (por meio do convênio realizado entre a prefeitura e a Funcart) e a apresentação de três novas montagens. A primeira, ‘‘O Beijo no Asfalto’’, de Nelson Rodrigues, estreia hoje (ver detalhes na página 3). Em outubro é a vez de ‘‘Aurora da Minha Vida’’, de Naum Alves de Souza. A última montagem acontece em novembro, com ‘‘O Pagador de Promessas’’, de Dias Gomes. As apresentações acontecem no Cine Teatro Ouro Verde, e a entrada é 1 kg de alimento não perecível.

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