Arte que sai do lixo
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 14 de maio de 2001
Jackeline Seglin De Londrina 
O lixo na parede é um trabalho que levou a artista plástica londrinense Olga Nardi a ser convidada para expor suas obras no Espaço Reciclarte, no Rio de Janeiro. A mostra Arte em Reciclagem acontece a partir de hoje, com a abertura do novo espaço permanente da Recicloteca, um centro de informações sobre reciclagem e meio ambiente.
A Recicloteca foi criada pela ONG Associação Ecológica Ecomarapendi em 1993, com o objetivo de disponibilizar ao público um acervo de artigos científicos, relatórios técnicos, cartilhas, vídeos e outros materiais. Patrocinada pela Ambev, a Recicloteca realiza seminários, cursos, oficinas e mantém um site na Internet, além de receber visitantes em sua sede e atender consultas gratuitamente por correio, fax, telefone ou e-mail.
Olga Nardi é a única paranaense convidada para a exposição, que reúne artistas que utilizam a recliclagem em designer, utilidades domésticas, moda e artes plásticas. Há oito anos a artista pesquisa arte no lixo. Ela começou com um trabalho utilitário em discos de vinil e, desde 1996, enveredou para as artes plásticas. Hoje faço um trabalho conceitual, minimalista, define. A artista diz aproveitar todo tipo de material reciclado em suas obras, desde folhas da Bíblia até latas de sardinha. É uma mistura de objeto e conceito.
Um dos trabalhos enviados para o Rio de Janeiro, intitulado O Trono, é uma tampa de vaso sanitário em madeira com a estampa da imagem de Hitler. Quando a tampa é aberta, o espectador pode ver uma foto com uma cena do holocausto. Em outra obra, Basta, a artista utilizou-se de tampinhas de garrafa e uma forma de bolo para encaixar uma foto (tirada de uma revista da década de 30) de uma criança comendo lixo. Meus trabalhos abraçam o lado social. Esse, por exemplo, mostra a miséria, a falta de oportunidade e de condições de sobrevivência, explica.
Olga Nardi já participou de outros dois eventos Reciclarte (no Rio de Janeiro e em Curitiba). Para ela, o fato de suas obras figurarem no circuito brasileiro da reciclagem é um sinal de que seu trabalho está caminhando sozinho. Não mando currículos, não vou aos lugares. O trabalho faz por si mesmo. A primeira oportunidade de participar do evento surgiu em 98, quando a artista morava em São Paulo. Para o Arte da Reciclagem, Olga Nardi enviou oito de suas obras.


