Arte premiada
Simone Mattos
De Curitiba
Os curitibanos têm até o dia 30 de janeiro para visitar a 56ª edição do Salão Paranaense, o mais importante evento oficial das artes plásticas no Estado. Entre as 90 obras, feitas por 34 artistas selecionados, um dos principais destaques é o interessante trabalho de xilogravura assinado por Andréia Las, que conquistou o primeiro prêmio da mostra.
Como a maioria dos artistas que participam desta edição do evento, Andréia não é iniciante. Já foi premiada no próprio Salão Paranaense, em 1987, com trabalhos de serigrafia, além de ter participado e faturado prêmios em vários outros salões brasileiros.
Aos 40 anos de idade e 20 de artes plásticas, a curitibana descendente de poloneses confessa que sua atual fase remete a muito saudosismo e retorno às origens. Este processo teve início há uma década, quando morei um ano na França, explica. Ela justifica dizendo que lá se preserva muito mais a memória do que aqui. A característica européia de valorização do passado teria influenciado a artista.
Foi aí que Andréia deu início ao trabalho de xilogravura aplicada a madeira, que desenvolve até hoje e que acabou de ser premiado no Salão Paranaense.
A volta da França coincidiu com a demolição de uma antiga casa de madeira que pertenceu a avó de Andréia, na cidade de Ponta Grossa (PR). Além dos restos de assoalho e pedaços grandes de madeira danificados pelo tempo, a artista recolheu tábuas de bater carne, descansos de panela e pés de mesa. A madeira já vinha trabalhada pela ação dos cupins, diz.
Este material, antes de se transformar na exposição A Casa, sofreu interferências através da ação das lixas operadas com precisão por Andréia. Lixadas, as peças receberam impressões diversas.
O processo foi repetido por ela na obra que está exposta no Salão Paranaense. Papel japonês em metro foi tingido com tinta off-set, revelando imagens que são o resultado de vários rebatimentos numa antiga tábua de lavar roupa. Ela conta que a impressão é realizada com pauzinhos de bambu, numa técnica milenar e artesanal.
Além dela, outros premiados foram os artistas Edilson Viriato, Karina Marques e Solange Venturi, que receberam a quantia de R$ 5 mil cada um. Andréia recebeu um prêmio de R$ 10 mil.
Ao todo, foram inscritos 554 trabalhos de artistas de todo o Brasil. As obras foram selecionadas por um júri formado pelos jornalistas e críticos Celso Fioravante e Angélica de Moraes e pela artista plástica Estela Sandrini.
O 56º Salão Paranaense estará aberto até o dia 30 de janeiro no Museu de Arte Contemporânea do Paraná, em Curitiba (Rua Desembargador Westephalen, 16). A mostra poderá ser vista de terça a sexta das 10h às 19h e aos sábados e domingos das 10h às 16h. A entrada é gratuita.





