Arte pré-Cabral em Londres
Francisco Martins da Costa
Agência Folha
Em outubro de 2001, 501 anos depois de os portugueses terem descoberto o Brasil, os ingleses vão descobrir a Amazônia. Nessa data será aberta a primeira exposição brasileira a ocupar os salões do Museu Britânico. Ontem, Edemar Cid Ferreira, presidente da Associação Brasil 500 Anos Artes Visuais, ligada à Fundação Bienal de São Paulo, reuniu-se com a direção do museu para receber dos ingleses o compromisso e a confirmação da realização da exposição.
A mostra Amazon Unknown (Amazônia Desconhecida) vai expor centenas de peças produzidas pelos primeiros povos do norte brasileiro. São cerâmicas, urnas mortuárias, esculturas, peças rituais e utensílios com até 20 mil anos de idade.
A exposição, que terá curadoria de Colin McEwan (do departamento de antropologia do Museu Britânico), juntamente com os brasileiros Eduardo Neves e Cristiana Barreto (do Museu de Antropologia e Etnologia da USP), vai mostrar que existiu uma civilização brasileira pré-cabralina, anterior ao Descobrimento. Existe um desprezo e um preconceito pelo que se descobriu na Amazônia. Na América Latina, só se valoriza o que vem das civilizações das terras altas. Vamos mostrar o modo de vida alternativo e o conhecimento dos povos tapajônicos e da cultura marajoara. Há uma riqueza e uma complexidade
espantosas na arte arqueológica da Amazônia, afirma Nelson Aguilar,
curador-chefe da Mostra do Redescobrimento.





