Arte portuguesa em fotos e azulejos expostos no Rio
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sábado, 22 de abril de 2000
Por betariz Coelho Silva 
Rio, 23 (AE) - A arte e a paisagem portuguesas de hoje podem ser apreciadas no Rio. Desde o dia 18, o Museu de Arte Contemporânea (MAC), de Niterói, exibe a exposição 500 Anos depois..., com 250 fotografias feitas por José de Paula Machado por encomenda da Fundação Ricardo Espírito Santo, a mesma que restaurou os painéis de azulejos do Convento de Santo Antônio do Igarassu, no Rio Grande do Sul. Já a azulejaria portuguesa atual ocupa o Museu Histórico Nacional (MHN) do Rio, a partir desta segunda-feira (24), com a mostra A Arte do Azulejo em Portugal no Século 20. São 60 painéis e 40 fotografias de trabalhos contemporâneos que se espalham por Lisboa e outras cidades portuguesas.
A exposição de fotos vem sendo preparada há três anos, por José de Paula Machado, autor de 17 livros sobre o Brasil. "Quis mostrar aos brasileiros Portugal de hoje, um país moderno, muito mais voltado para a Europa do que para suas ex-colônias, incluindo aí o Brasil", diz o fotógrafo, que levou para lá outras 250 fotografias feitas em 23 Estados brasileiros, para que os portugueses também nos conheçam. "Há muitas diferenças entre os dois povos, mas a fé católica, muito forte lá e aqui, é um fator que une os dois países."
Machado procurou mostrar todos os aspectos da vida portuguesa, sejam suas paisagens, sua arquitetura, seus tipos humanos e suas festas. Como suporte, ele usa papel, tecido, a tela do computador e a multivisão. Na exposição brasileira, que depois do Rio vai a Salvador, Belém, São Paulo e Brasília, a maior atração é um enorme mapa de Portugal preso ao chão, com fotos de cada região visitada. A exposição portuguesa vai inaugurar no dia 19, no Paço Cultural Gandarinha, em Cascais. "Quis que tanto lá, como aqui, as mostras ficassem debruçadas sobre o Oceano Atlântico, que separa e une os dois países", explica o fotógrafo.
Azulejos - A azulejaria portuguesa ficou famosa nos séculos 17 e 18, mas nunca deixou de ser importante no país. Todos os grandes artistas plásticos usam esse suporte, geralmente em obras públicas e monumentais, embora bons trabalhos sejam encontrados também no interior e no exterior de residências. Nos últimos anos, foram feitas encomendas especialmente para obras monumentais, como o metrô de Lisboa e os edifícios que abrigam sessões da Comunidade Européia.
Segundo a diretora do Museu Histórico Nacional, Vera Tostes, especialista no assunto, a decoração exterior dos prédios, públicos ou privados, com azulejos é uma influência brasileira na arquitetura portuguesa. Os azulejos são herança árabe e eram usados nos aposentos interiores, nos quais havia concentração de muitas pessoas, como salas de jantar, de reuniões e salões de festas. "Quando eles vieram para o Brasil e se estabeleceram à beira-mar, notaram que a maresia corroía o reboco das construções muito rapidamente e que só o azulejo tinha durabilidade", conta Vera. "Essa experiência foi levada para a metrópole e acatada pelos artista de lá."
No Brasil, a arquitetura do século 20 abandonou o azulejo, pelo menos nas fachadas, por influências francesa e americana. Em Portugal, no entanto, a presença do ladrilho cresceu, com a adesão de artistas que usavam outros suportes (e muitas vezes apenas criavam os desenhos que eram executados pela indústria de cerâmica). E, se até o século 19, as paisagens e as cenas de vida dos santos predominavam, a partir de 1900, os motivos dos desenhos tormaram-se variados, chegando à total abstração e à geometria, sem deixar de lado as paisagens e o figurativismo.
A mostra A Arte do Azulejo em Portugal no Século 20 tem curadoria do Museu do Azulejo de Lisboa, proprietário da maior parte das obras enviadas ao Brasil, que as organizou cronologicamente em sete períodos, nos quais se destacam cinco artistas. Na primeira fase, no início do século, o azulejo passa a ter uso popular, porque se tornou um material mais barato, em virtude da expansão das cerâmicas. A partir dos anos 30, os artistas eruditos aderem a esse suporte e é dessa época a Vista de Lisboa, feita por Paulo Ferreira para o Pavilhão Português da exposição de Paris em 1937. O baixo-relevo de Jorge Barradas para a Fundação Calouste Gulbenkian, feito em 1969, também marca um período de renovação artística da cerâmica. No período seguinte, que vai de meados da década de 70 até o fim desta, as grandes obras públicas, como as estações do metrô de Lisboa, passam a ter esse revestimento. O painel de Querubim Lapa, para a a embaixada de Portugal, de 1974, e o de Ivan Chermayef para o Oceanário de Lisboa, no Parque das Nações, de 1998, pertencem a esta fase. A exposição fecha com obras recentíssimas de artistas como Bela Silva e Luiz Camacho. Já as decorações das estações do metrô de Lisboa abriga criações de todos os períodos.
Os painéis e desenhos (alguns deles, originais dos artistas entregues às cerâmicas para reprodução) ficam no Rio até julho e depois vão para São Paulo (onde a azulejaria nunca foi forte), Salvador e São Luís do Maranhão, onde ainda se encontram os melhores exemplos da arte trazida de Portugal.


