Curitiba – Um enorme rolo de lã de acrílico desenrola-se pelos cômodos do museu, sustentado por arames galvanizados. Sutis fios de cobre interferem na trama branca que se enovela no espaço, como num passeio sem compromisso. É com esses elementos básicos e minimalistas que a artista plástica carioca Marilou Winograd compõe a exposição ‘‘Por um Fio’’, inaugurada ontem à noite no Museu Alfredo Andersen, em Curitiba.
O olhar do visitante é que dará a leitura definitiva do trabalho, assim como no entendimento de Marilou os fios de cobre, em tom avermelhado, num contraste com a brancura da lã, têm o dom de parecerem partituras. Múltiplas formas são criadas quase ao acaso, e como as sombras que incidem nas paredes participam do conjunto, há sempre um novo ângulo a ser explorado.
Três salas do museu estão ocupadas pela obra de Winograd. O imóvel – casa datada do início do século passado – difere, e muito, dos outros ambientes por onde ‘‘Por um Fio’’ já passou. ‘‘Cada novo local é um novo desafio e um novo diálogo’’, explica a artista. Aqui os cômodos são menores, e como as salas interligam-se, o diálogo da obra com a arquitetura foge a experiências que poderiam ser semelhantes.
Esse diálogo ganhará uma nova concepção em maio, quando este mesmo trabalho será inaugurado em Berlim, na galeria da embaixada brasileira. Lá, o salão tem 350 metros quadrados e é todo envidraçado. ‘‘Sou profundamente apaixonada pelo que faço, e sou feliz por ser artista. Gosto dos desafios que a arte me propicia’’, afirma.
Além da Alemanha, é possível que em breve outra exposição de Marilou Winograd cumpra temporada na Europa. O assunto, por enquanto, está no plano das negociações, mas se der certo os franceses verão em Paris ‘‘A Sombra dos Brancos’’.
Serviço
‘‘Por um Fio’’, exposição de Marilou Winograd no Museu Alfredo Andersen (Rua Mateus Leme, 336, telefone (43) 222-8262). Encerramento dia 7 de abril. Visitação pública: de segunda a sexta-feira, das 9 às 18 horas, sábado das 10 às 16 horas.

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