Arte por acaso
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segunda-feira, 10 de junho de 2013
Geraldo Bessa<br>TV Press 
De torneiro mecânico a representante de vendas, José Henrique Ligabue passeou por muitas profissões até se encontrar na atuação. "Trabalho desde os 15 anos de idade e já fiz de tudo um pouco. No entanto, sempre enjoava rápido dos meus empregos, até aparecer o teatro e mudar tudo", analisa o intérprete do tímido Lino de "Flor do Caribe", da Globo.
O trabalho na atual novela das seis, inclusive, é visto pelo ator como uma prova de que, apesar da grande concorrência e das dificuldades financeiras, é possível sobreviver trabalhando no que se gosta. "Eu já estava bem feliz com o que tinha escolhido antes de fazer novela. Mas o Lino me fez ver outras possibilidades de atuação e me proporcionou outros aprendizados", ressalta Ligabue, que teve de aprender a tocar sanfona e a fazer renda de bilro para o personagem.
Aos 30 anos, natural de Porto Alegre, mas residindo no Rio de Janeiro desde 2011, Ligabue quer mesmo é experimentar. Seja no estilo mais industrial da tevê ou no esquema alternativo do teatro, que ele conheceu através dos cursos do TEPA Teatro Escola Porto Alegre e em oficinas de grupos como o Jogo de Experimentação Cênica, de sua cidade natal, e o Tá Na Rua, do Rio de Janeiro. "O ideal é equilibrar. Gosto da visibilidade da tevê, mas também adoro atuar de forma mais artesanal, algo que encontro nos palcos e no cinema", empolga-se.
A propósito, foi durante a filmagem do longa "O Tempo e O Vento" que Ligabue conheceu o diretor Jayme Monjardim, responsável por sua presença em "Flor do Caribe". "Estava lá, fazendo um filme que tem tudo a ver com as minhas raízes, aí me aparece a novela e o Lino. São as surpresas boas da vida", comemora.
Nome: José Henrique Ligabue.
Nascimento: Em 31 de julho de 1982, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.
O primeiro trabalho na tevê: "Minha primeira participação significativa na tevê foi em 'Gre-Nal é Gre-Nal', série produzida pela RBS TV, afiliada da Globo no Sul do país".
Interpretação memorável: "Julio Adrião em 'A Descoberta das Américas', um monólogo incrível do escritor Dario Fo. O desempenho do ator é visceral, fiquei de olhos vidrados no palco do início ao fim da peça".
Momento marcante na carreira: "O dia em que fiquei sabendo que estaria no elenco de 'Flor do Caribe'".
Se não fosse ator, o que seria: "Sou muito musical e adoro percussão, acho que iria por esse caminho".
A que gosta de assistir na tevê: "'Jornal Nacional', 'Globo Repórter', seriados de canais fechados e algumas novelas".
A que nunca assiste: "Não gosto muito de programas de auditório. É o tipo de coisa que não me prende muito".
O que falta na tevê: "Veracidade. O sujo precisa ser mais sujo. A tentativa de retratar o real precisa ser mais respeitada".
O que sobra na tevê: "Programas sensacionalistas".
Ator: Juca de Oliveira.
Atriz: Laura Cardoso.
Vilã: Adriana Esteves, a Carminha de "Avenida Brasil", de 2012. "Acho que a Carminha conseguiu chegar bem perto da Odete Roittman".
Personagem mais difícil de compor da sua carreira: "Com certeza é o Lino. Passei por um intenso processo de composição e pesquisa a ainda tive de aprender a me portar na tevê. É um aprendizado diário".
Melhor bordão da tevê: "Não sei. Só sei que foi assim", do personagem Chicó, da microssérie "O Auto da Compadecida", de 1999.
Novela que gostaria que fosse reprisada: "Top Model", de Walther Negrão e Antônio Calmon, exibida pela Globo em 1989.
Canção inesquecível de trilha sonora: "Qualquer trilha feita pelo Philip Glass me emociona".
Filme: "Adaptação", de Spike Jonze.
Vexame: "Foi no teatro. A correria nos bastidores era grande e eu acabei entrando em cena sem os sapatos".
Autor: Charlie Kaufman e Érico Veríssimo.
Diretor favorito: Quentin Tarantino.
Medo: "Sou louco por crianças e ser pai é um sonho para mim. Tenho receio de não conseguir ter filhos".
Projeto: "Quando não estou gravando a novela, me dedico ao Bloco da Lage, grupo de teatro em que eu participo, com sede em Porto Alegre".


