ARTE PARANAENSE PERDE ALBERTO MASSUDA
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segunda-feira, 16 de outubro de 2000
Zeca Corrêa Leite De Curitiba 
O pintor Alberto Massuda morreu domingo à noite, na UTI do Hospital Evangélico de Curitiba, vítima de derrame. Estava com 75 anos e foi enterrado ontem à tarde no Cemitério Iguaçu. Com o artista silenciou também uma parte da história das artes plásticas no Estado.
Nascido no Cairo em 1925, aventurou-se por dois anos em Roma, no curso de Cenografia em Cinema, entre 1956 e 57. De lá voou para o Brasil. Chegou a Curitiba em 1958 e nesse mesmo ano expôs no XV Salão Paranaense de Belas Artes. Viria a ganhar medalha de prata no mesmo salão, em 59, e emplacaria nova participação em 1960.
Massuda integrou-se ao movimento de renovação das artes plásticas do Paraná, que nos idos de 50 tinha forte presença e importância na vida cultural da cidade. Os jovens artistas não deixavam pedra sobre pedra, jorrando oxigênio e mudando o cenário.
Para o egípcio que chegou na capital trazendo no currículo a experiência como membro do Groupe de LArt Contemporain, do Egito, e participações nas bienais de Veneza e de Paris, além de medalha de bronze na Bienal de Alexandria, com certeza foi uma festa encontrar um clima efervescente. Nunca mais deixou a cidade, e alguns anos depois naturalizou-se brasileiro.
Juntamente com Álvaro Borges, René Bittencourt, Érico da Silva e Waldemar Roza integrou o Grupo Um, do qual foi um dos fundadores, em 1966. Sobre a obra de Massuda, comentou recentemente Maria Cecília Araújo Noronha, diretora do Museu de Arte do Paraná: A universidade das obras de Massuda não se limita a tempo ou espaço. Utilizando uma linguagem sem limites ou fronteiras, o artista retira do seu repertório a eternidade mística dos personagens, para revelar os mistérios da vida, do amor e do sagrado.
Ontem, Maria Cecília considerou a importância do mestre: Muita gente passou por suas mãos. Ele não foi um professor acadêmico, mas realmente, com sua morte, abre-se uma enorme lacuna na história das artes do Paraná. Massuda foi uma referência.
A professora fez a curadoria de sua última exposição, há cinco meses, no MAP. Fizemos uma grande retrospectiva para homenageá-lo. Ele estava muito velhinho, triste, sentia-se um pouco abandonado. Já não estava bem de saúde. No dia da exposição, demorou para chegar ao museu, por não se sentir disposto. Mas, assim que chegou, ficou ótimo. No dia seguinte, recaiu.
Com várias internações hospitalares, Alberto Massuda foi se acabando aos poucos. Deixou obras espalhadas em museus como os do Cairo, de Arte Moderna de Alexandria, no MAP, MAC e Museu de Arte de Joinville. Também em coleções particulares no Brasil, Roma, Paris, Bonn, Ulm, Baltimore, Pittsburg, Israel, Varsóvia, Buenos Aires e Caracas.


