ARTE PARA ACORDAR
Elisa Marilia Carneiro
De Curitiba
Interiores e figuras contemporâneas, que o próprio artista plástico prefere chamar fulguras, estão em oito quadros em acrílica sobre tela, de Belmiro Santos, expostas no Artespaço McDonalds Batel, em Curitiba, até 14 de abril.
São lugares acesos, alegres, que têm a ver com o fogo ou com a luz que se busca de um canto escuro, conta. Os quadros refletem um trabalho interior. Não busco paisagens mas o mundo interior e suas redondezas. É uma linguagem pessoal e muito expressiva.
A intenção de Belmiro não é retratar, mas buscar em duplo sentido. Tanto em casas como em coisas vivas, procuro perceber os ambientes como parte da vida. Nos seus locais de trabalho, por exemplo, as pessoas têm dores, hábitos e convivências. É isso que pinto, esclarece.
As estampas das telas refletem a busca pelo abstracionismo. Mas ainda tenho de dar um passo maior, reconhece. Belmiro afirma que o abstrato nas artes plásticas fala muito mas poucas pessoas entendem. Por enquanto, ainda trabalho os símbolos que todos percebem. Falta lapidação ao consumidor brasileiro de arte. Quanto mais abstrato é mais exigida a sensibilidade. O abstrato incomoda.
Num jogo de cores quentes e frias, Belmiro diz que faz acender uma luz. Às vezes isso é muito gritante e pode ser entendido como agressivo, mas atualmente, a gente tem de falar mais alto. Não dá mais para ser suave, as pessoas precisam acordar.
Exposição Interiores e Fulguras, de Belmiro Santos, no Artespaço McDonalds Batel (Avenida Nossa Senhora Aparecida, 170, em Curitiba). De 25 de fevereiro a 14 de abril, das 11h à meia-noite.Com suas telas, Belmiro Santos quer acender uma luz. Para ele, a arte hoje tem que falar mais alto
ReproduçãoInterior II em acrílica sobre tela num trabalho quase abstratoReproduçãoA mesa do Bar num jogo de cores quentes e frias





