ARTE NO MURO - GRAFITE É PURA EXPRESSÃO
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terça-feira, 11 de maio de 2004
Fernanda Bressan<br>Reportagem Local 
Transformar o muro em uma obra de arte. Essa é a característica da grafitagem, que surgiu em 1973 como uma maneira de expor idéias, sentimentos e até as próprias obras dos artistas. Em Londrina, oficinas promovidas pela Rede da Cidadania estão envolvendo adolescentes de todas as regiões da cidade. Há três grafiteiros trabalhando na área, entre eles Luana Maria Rosa, de 19 anos, e juntos eles atendem cerca de 250 alunos.
Luana conta que começou no grafite por vontade de expor suas pinturas. ''Sempre gostei de desenhar mas não tinha espaço para expor. Então, comecei a pintar nos muros, sempre procurando cobrir as pichações com pintura'', relata. Aliás, o grafite não possui nenhuma relação com a pichação, ao contrário do que muitas pessoas pensam. Luana diz que durante as oficinas são feitos trabalhos de reeducação. ''O pichador pode se tornar um grafiteiro. Todo mundo tem o direito de se expressar só que sem depredar o patrimônio público e os monumentos'', frisa.
O trabalho tem dado resultado. De acordo com Luana, vários diretores afirmaram que a pichação sumiu das escolas depois das oficinas de grafitagem. Os próprios alunos recriminam quando vêem alguém pichando os muros. Além disso, a oficineira destaca que já recebeu convite de algumas escolas para que o grafite fizesse parte do currículo escolar. Mas as oficinas não acontecem só nas escolas. Há paróquias e ginásios de esportes abrigando os trabalhos. ''Vamos onde tem espaço e a oficina é aberta a toda a comunidade acima de 12 anos'', informa Luana.
Para a parte prática do grafite, Luana conta que nem só os muros das escolas são pintados. Eles pedem autorização para as pessoas e quando ela é concedida, o muro recebe a grafitagem. Luana utiliza látex, pincéis, rolinhos e sprays para dar cor a muros que muitas vezes estavam pichados. ''Em princípio, o grafite chama a atenção das classes mais baixas. Mas, com o tempo, muitos preconceitos foram por água abaixo'', relata. O preconceito, segundo ela, era muito ligado à confusão entre pichação e grafite. ''Às vezes as pessoas faziam riscos no muro e chamavam isso de grafite'', aponta.
O grafite é um dos elementos do movimento Hip Hop. Luana descreve que há quatro linguagens principais: a visual com o grafite, a rima com o MC, o som com o DJ e a expressão corporal com o break. Todas essas vertentes possuem oficinas promovidas pela Rede da Cidadania, um projeto de extensão à comunidade da Secretaria de Cultura de Londrina. Para Luana, qualquer pessoa pode aprender a arte da grafitagem. ''O grafite não segue padrões e não importa se a pintura está perfeita, mas a mensagem que ela passa'', observa. Outra característica da arte para Luana é que ''é uma linguagem que todo mundo fala e entende, independente de ser alfabetizado ou não''.
Este ano, há cinco oficinas divididas nas zonas norte, sul, leste e oeste. Luana cita alguns lugares como Jardim São Jorge, São Francisco, Vila da Fraternidade e Conjunto Maria Cecília. Quem quiser mais informações sobre as oficinas pode entrar em contato com a Rede da Cidadania pelo telefone (43) 3371-6643.


