Arte no corpo
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Qualquer estúdio de tatuagem dispõe de um portfólio para o cliente escolher o desenho que irá aplicar sobre sua pele. Uma exposição fotográfica, em cartaz em Londrina, escapa desse fim utilitário para traçar um panorama da ''body art'' (arte no corpo) reunindo cerca de 40 imagens que retratam sua manifestação ao longo da história.
A Mostra está aberta ao público na Ratto Tatoo Clinic e faz parte do ''1º Encontro Londrinense de Body Art'', organizado por alunos de Comunicação da Faculdade Pitágoras em parceria com tatuadores da cidade. O evento foi inaugurado no último sábado e contou com presença de vários profissionais da região.
''O objetivo é difundir a ideia de que tatuagens e piercings são expressões artísticas e elementos de identidade de diversos grupos sociais. Queremos aproveitar também para apresentar as novas tendências no mercado em técnicas, produtos e serviços'', explica Guilherme Lupin, um dos coordenadores do encontro.
Na exposição, painéis reconstituem as formas como povos antigos cobriam o corpo com desenhos. ''A tatuagem não tem uma origem certa, ela apareceu em vários lugares ao mesmo tempo. Alguns pesquisadores supõem que estava na bagagem das grandes migrações dos grupos humanos e foi passando de um povo para o outro'', diz Lupin.
Um texto, incluído na exposição, levanta a hipótese de que as tatuagens teriam surgido a partir de marcas involuntárias adquiridas em guerras, caças e lutas corporais, pois estas geravam orgulho e reconhecimento ao homem que as possuísse. A partir daí, povos das mais variadas culturas teriam começado a usar pinturas definitivas por motivos espirituais, para a guerra, em rituais de várias espécies e para marcar os fatos da vida biológica (nascimento, puberdade, reprodução, morte).
A imagem negativa associada à tatuagem também é lembrada em outro painel, que remonta à Antiguidade - quando sua prática era ligada ao ocultismo e a crenças pagãs - até chegar à contemporaneidade através de marujos, surfistas, roqueiros, máfias e presidiários. De acordo com Lupin, um dos objetivos da exposição é desmontar esse vínculo e romper com estereótipos.
''Queremos desmistificar essa noção de que indivíduos tatuados são bandidos, drogados ou são pessoas de má índole. A tatuagem está presente no nosso cotidiano e não apenas em grupos sociais marginalizados. O número de pessoas interessadas em tatuagens tem aumentado significativamente nos últimos anos e o preconceito vem reduzindo gradativamente. A aceitação já é maior, mas ainda é necessário melhorar'', salienta.
A exposição fica em cartaz até o dia 21 de novembro e pode ser visitada gratuitamente em horário comercial.
Serviço
- Body Art
Quando - De hoje até 21 de novembro, das 9h às 18 horas
Onde - Estúdio Ratto Tatto Clinic (Av. Higienópolis, 710), em Londrina,(43) 3323-0574


